East and West

(Por motivos técnicos, o post em Português está abaixo e para verem fotos é seguir o link do Instagram aqui ao lado 👉)
Back in 2002 I went to China for 8 weeks for an academic project. Landing in Beijing I had the feeling of being somewhere very different. Before that, my travels have taken me to Europe and Brasil, though at the time I was so young that the fact we had a common language made me forget I was in a different continent across the ocean. So yeah, landing in Beijing 15 years ago was the realisation of the world and I clearly remember stepping out of the airport and thinking “I’m in China, Asia, the far East”.

7 weeks, many train and bus rides and quite a lot of Chinese cigarettes later, I returned to Beijing and felt that it was actually quite westernised / international as there was Coca-Cola, Marlboro cigarettes and Mac Donald’s. I had just been living in a village in Sichuan province for 6 weeks and while the experience was amazing, the only familiar thing I found were some Portuguese looking and tasting cakes I would buy every other day, so that was a real eye opener.

Much has happened since then but as I write this post in Shanghai, I can’t help but going back to the memory of that trip.

China doesn’t feel as different anymore. Yes, they still sell snakes in the market and going into a shop or restaurant is an adventure. The most difficult bit is the Google ban. I know your going to say I don’t really need it but small things like trying to find the exchange rate or translate words is very difficult. Yes, back then there was no Google, so we weren’t hooked up on it but we also had translators…

So far it has been a very pleasant surprise. I find China became much cleaner, like Japanese clean; the infrastructure seems to have developed along with the city, so there’s a wide network of public transport, sewage, electricity and so on; public places are still that, so there’s Tai Chi in the morning and dance in the evening in the garden nearby. There’s the best cycle scheme I’ve seen to date and phone boots have been converted into WiFi points. I’m looking forward for the next days. (To the the pictures of this trip please follow the Instagram link on the side 👉)

….

Em 2002 fui à China para um projecto académico. Apesar de ter saído várias vezes de Portugal, aterrar em Pequim foi ter verdadeiramente a noção da grandeza do mundo e lembro-me perfeitamente de pensar “aterrei na China, Ásia, extremo oriente”.

7 semanas, muitos comboios autocarros e cigarros chineses depois regressei a Pequim e pensei que afinal a cidade era muito mais ocidental do que eu pensava. Afinal havia coca-cola, Marlboro e Mac Donalds, ao contrário da aldeia de Sechuan onde vivi 6 semanas e o mais familiar que encontrei foi um bolo que parecia pão de ló.

Desde então já se passou muita coisa e agora eu vivo no extremo oriente, mas voltar à China traz memórias e naturalmente comparações.

A China já não parece tão diferente como há 15 anos apesar de continuarem a vender cobras no mercado (para comer claro) e ir a um restaurante continua a ser uma aventura, apesar de muitos menus terem fotos ou texto em inglês. O mais complicado tem sido o bloqueio da China ao Google, portanto ver mapas ou traduções ou o câmbio da moeda são coisas impossíveis. Bem sei que em 2002 não havia Google, portanto não estávamos habituados a usá-lo, mas também tínhamos tradutores…

Tirando este pormenor, esta viagem tem sido uma agradável surpresa. A China está limpíssima, como o Japão; a cidade de Shanghai desenvolveu uma rede de infraestrutura que acompanha o crescimento urbano: Bons transportes públicos, rede de esgotos e eléctrica. Apesar do crescimento, os jardins e praças continuam a ser espaços públicos, com ginástica matinal e dança ao fim do dia. Têm uma rede de bicicletas de aluguer muito avançada, em que apenas é preciso um telemóvel para poder usar. As bicicletas estão espalhadas pela cidade e podem deixar-se praticamente em qualquer lado sem precisar de um sítio especial (ao contrário das Londrinas) e as velhas cabines telefónicas foram convertidas em pontos de WiFi. Estou curiosa com os passeios destes próximos dias.

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A walk in Taipei

A few months ago I went to Taipei for a work trip and took advantage of the late-in-the-week meeting to stay for the weekend. I was unsure of what to expect, but was a pleasant surprise.

 

From a very pink Hello Kitty flight, I looked out from the airplane window as we landed to find what seemed like a grey concrete mass, turned even duller by the overcast sky and grey light, combined with the shower spray rain and the colder than expected weather forecast. In the airport though, I found some very friendly people and found my way to the office very easily.

On the first night I was lucky enough to be located in a fancy suite in a different hotel, but only noticed my view in the morning, so did not have a chance of a night photo of 101 face on.

 

Breakfast included, in addition to the western style food, some yummy baozi (steamed buns) that became my obsession at every meal. Put these together with all the bakeries I came across, street food stalls, and night markets and I can tell you that in Taiwan the problem is choosing what to eat.

 

I just had over 24h free time, as I wanted to experience the hotel pool and bath before the flight, so Saturday morning I grabbed the booklet I picked from the airport tourist desk and headed to the furthest point, Longshan Temple, where I was lucky enough to get lost for a few moment  in the chanting of monks among the chaos of tourists and visitors.

 

10 hours, 15 km and many pictures later I was back in the hotel with the feeling that there was still so much to see, especially in the mountains surrounding the city that probably hold the key to the Portuguese name of the island “Formosa”.

 

I realised at the end of the day that I didn’t really stop for a meal, but throughout the day I got to snack on a variety of foods from street vendors or samples from the dried fruit shops and many cups of Oolong (the local tea) and that was quite a filling experience. Still, there is one unknown ingredient on many street foods that does not agree with my senses and many times I had to hold my breath and walk quickly to cross the shops.

 

After all that walking, I can tell you that Taipei is not grey, as the temple lanterns, the taxis and many street signs give it a vibrant yellow tone, that better reflects the lively night markets and friendliness of the people.

 

Há uns meses fui a Taipei em trabalho e aproveitei a reuniao ser no final da semana para passar lá o fim-de-semana. Nao tinha muitas expectativas mas Taipei foi uma bela surpresa.

 

Pela janela de um voo cor de rosa da Hello Kitty vi que aterrava no meio de uma massa de betao, tornada ainda mais triste pelo ceu nublado, a luz cinzenta, a chuva miudinha e a aragem fria que nao estava prevista pela meteorologia.Mas logo no aeroporto as impressoes comecaram a mudar ao falar com pessoas simpátias e a descobrir o quao fácil é circular na cidade.

NA primeira noite tive um upgrade para uma suite num hotel melhor, mas infelizmente só de manha é que me apercebi da vista fantástica para o 101. Nao faz mal, a foto nocturna fica para a próxima visita.

 

Ao pequeno almoco, para além da comida ocidental, havia uns baozi (paezinhos a vapor) que se tornaram obrigatórios a todas as refeicoes. Estes baozi, juntamente com as padarias e pastelarias, bancas de comida e mercados de rua dificultavam a escolha do que comer, tal era a variedade da oferta.

 

Em Taipei tive pouco mais de 24 horas livres, especialmente porque queria experimentar a piscina e o banho do hotel, portanto sábado de manha pus na mochila a brochura que trouxe do balcao de turismo do aeroporto e segui para o sítio sugerido mais longe, o Templo de Longshan, onde me perdi por momentos  nos canticos dos monges no meio do caos de turistas e visitantes.

 

10 horas, 15 quilómetros e muitas fotos depois estava de volta ao hotel com a sensacao que ainda tinha muito para ver, especialmente nas montanhas que rodeiam a cidade e que parecem justificar o nome de Ilha Formosa.

 

Ao final do dia apercebi-me que nao tinha verdadeiramente parado para almocar, mas como ao longo do passeio fui parando em bancas para petiscar ou provar frutas secas nas lojas de especialidade e beber uns copos de Oolong (o chá local) acabei por nao ter fome. Ainda assim, há um qualquer ingrediente em muitas comidas de rua que infelizmente nao combina com o meu nariz e eu cheguei a ter de suster a respiracao ao passar nalgumas lojas.

 

Ao fim desta caminhada, posso dizer que Taipei nao é cinzento, pois as lanternas de papel, os táxis e muitos néons dao a cidade um amarelo vivo, que reflecte bem a energia dos mercados de rua e a simpatia das pessoas.

 

The route / A rota:

Longshan Temple – Movie Street – Beimen – Dihua Street Commercial District – Dadaocheng Wharf – Ningxia Night Market – Huayin Street Commercial District – Main Station Area

 

Places visited / Pontos de interesse:

Longshan Temple

ASW Tea House

Taiyuan Asian Puppet Theatre Museum

Chinese Medicine Shop (pick one, there are many)

Bucket Shop (good for gifts)

Night Market (eat-drink-shop all in one place, after the sun goes down)

Sri Lanka

If you follow our Instagram, you will know that we went to Sri Lanka.  S needed some rest and we decided to go travel for a week and kitesurf for another.  On the way, we had time for a 24 hour stopover in Kuala Lumpur.

As usual, some issues came up with the flight (we were missing these) and it took us more than one hour at check in to ensure my full name was on the ticket.  Mental note for next flight out of Japan, use my full name even if it doesn’t fit in the ticket as it is probably easy to explain why I only picked the last surname.

I was very curious about KL as many colleagues worked there and one sent me a detailed route, which we followed through the city.  Malaysia is worth a visit on its own, but these 24 hours were enough to see quite a lot of KL.

The next morning and a bit lost in time we landed in Colombo where we met Nihal, who picked us up and took us to Kandy after we dropped our dead man bag lookalike with the kitesurfing equipment in the airport storage and managed to get every single person wondering what was inside the bag.

On the way, we had our first of many traditional lunches of rice and curry and we got to hear some music which sounded too much like Goan folklore.  We then noticed how much Sri Lankans looked Goan and S was constantly being mistaken by a local.

We started noticing here and there a few references to Japan as well, something that was constant throughout the trip in ads for language schools in the small villages, the sponsored museums plaques and the random Japanese speaking Sri Lankans we met, which competed in number with the Hindi speakers, who were very happy to meet an Indian.

As for Portuguese, other than some surnames there are also the vegetable names, which came in very handy for someone who recently ended up in hospital because of one.

On the road we spoke to Nihal a lot.  We learned about the food, and the culture, and the not so hidden social divisions of Singhalese, Tamils and Christians reflected on clothes, food and language.  In exchange, we answered all his questions about Europe and Japan and also discussed at large our education.  Nihal has 2 children to whom he gives the best education possible and, like all parents, he is concerned about their future.

During our trip, we took a train between Kandy and the tea plantations in the mountains.  In our carriage, there were a few Sri Lankan families and a couple of foreigners.  The journey started with the expected chaos but everyone managed to seat.  Within minutes, people started moving and S relived his younger days by sitting at the door, feet dangling out, enjoying the view.  He was soon joined by some younger guys and I noticed the giggling girls approaching in the corridors.  Some things are just universal, and there was clearly some sort of flirting going around.

Everyone kept going from seats to doors, enjoying the view and chatting.  A few stops later, a food seller approaches the window and I managed to get just a few vadas that came wrapped in an old maths book page.  For the next half hour we tried to solve all the maths problems while eating the contents of the pack.

By this time, most people in the carriage had spoken to each other, and suddenly, a bit like a thing out of a movie, one of the families pulls out drums and start jamming.  Needless to say, I ended up dancing in the corridor to complete the movie scene.

Sri Lankans are clearly friendly and chatty, so we met many people during the trip.   Like the women that liked Bolywood so much she went to India to study Hindi, wrote to all her favourite movie stars and actually got responses from them.  And the man that lived in Japan for 20 years because his first wife was Japanese, but she passed away and now he has a Italian wife.  And the bar tender that did these amazing paintings on the walls and counters and that will offer you a drink if you solve the puzzles he has hidden behind the bar.

I must say we got a few drinks, not because we are really good at the puzzles but because it was on the kitesurfing place and everyone gathered there after sunset.  It is a cool place and as we experienced in Dakhla, everyone shares tables for meals and that always generates interesting conversations.  Unfortunately, we had 3 days without wind with were spent on a day trip and in the water, wakeboarding and SUPing (or souping as I called it).

We also got to stay at a Sri Lankan house.  Fair enough, was not the everyday house but the house that Geoffrey Bawa, a Sri Lankan modernist architect, built for himself.  I have stayed in many beautiful buildings before, including during this trip, but staying here reminded me of an architecture trip we had to the north of Portugal to see all these summerhouses of artists and architects.  You actually spend hours looking at the details and how well the places age, keeping the ability to remain contemporary.  And then there are the gardens, where we spent the full day and managed to watch a monitor lizard catching his dinner.  And you read about the house and the gardens and the design intent and how it was used and you feel you travelled in time, aided by the lack of tv or wifi.  It is a place to enjoy slowly and you always feel there is more to see.  A bit like Sri Lanka itself.

Se seguem o nosso Instagram, sabem que há uns tempos fomos ao Sri Lanka.  O S precisava de descansar e lá fomos, uma semana a viajar e outra a fazer kitesurf.  Pelo caminho, parámos 24 horas em Kuala Lumpur.

Como nao podia deixar de ser, tivémos problemas logo no aeroporto pois a companhia aérea em que voámos tem espaco suficiente nas reservas para se por o nome completo e nao perceberam o porque de eu ter escolhido o último apelido.  Para a próxima já sei…

Eu tinha bastante cusiosidade em visirat KL, especialmente pelas conversas dos meus colegas que estiveram lá vários anos na construcao das Petronas.  Um deles deu-me um roteiro detalhado que nós conseguimos completar e decididamente a Malásia merece uma visita mais longa.

Na manha seguinte aterrámos em Colombo  onde o Nihal esperava por nós. Lá fomos até ao depósito de malas deixar o nosso “morto” (saco preto de equipamento de kitesurf com 1.5m de comprimento e 25kg de peso) nao sem antes chamar a atencao de todo o aeroporto para o possível conteudo do saco e daí seguimos viagem.

Pelo caminho comemos o nosso primeiro arroz com caril, o prato típico do Sri Lanka e tivémos oportunidade de ouvir algum folclore, que é surpreendentemente parecido com o de Goa.  Mesmo as pessoas parecem Goesas, e o S estava constantemente a ser confundido.

Reparámos também nas referencias ao Japao que salpicam o país em forma de anúncios a escolas de lingua nas aldeias, museus com o apoio do Japao ou as pessoas que falavam fluentemente Japones, que eram quase tantas como as que falavam Hindi, e que ficavam super contentes ao conhecer um Indiano.

Do Portugues há apenas alguns apelidos e o nome de muitos vegetais, o que é optimo para quem há uns tempos esteve num hospital por causa de um.

Na viagem, as conversas com o Nihal eram sobre a comida e a cultura do país e as diferencas entre Cingaleses, Tamils e Cristaos que se tornam evidentes na lingua, na roupa e comida.  Falámos também sobre a Europa e o Japao e sobre a nossa educacao.  O Nihal tem 2 filhos na escola e, como qualquer pai, está preocupado com o futuro deles.

Uma parte da viagem foi feita de comboio, que nos levou de Kandy até ‘as plantacoes de chá nas montanhas.  Na nossa carruagem iam famílias locais e alguns estrangeiros.  Após uma danca das cadeiras, conseguimos todos sentar-nos, mas em pocos minutos todos comecaram a mudar de lugar e o S decidiu reviver a sua juventude e foi sentar-se na porta do comboio com os pés para fora.  Passado uns minutos, um grupo de rapazes juntou-se ao S e logo em seguida uns rizinhos e cochichos femininos ouviram-se no coredor. Há linguagens que sao universais e o grupo de raparigas estava claramente a tentar arranjar maneira de conhecer os novos amigos do S.

E assim se foram passando os quilómetros, entre assento e porta e conversas com os companheiros de viagem. Numa paragem vimos finalmente um vendedor ambulante e consegui comprar as últimas vadas, que vinham embrulhadas no que em tempos foi um livro de matemática e que nos fez ficar meia hora a resolver problemas de geometria analítica enquanto comíamos.

Por esta altura já toda a carruagem se conhecia e de repente, como uma cena de um filme, uma das famílias pega em tambores e comeca a improvisar.  Claro que em poucos minutos eu estava a dancar no corredor da carruagem…

As pessoas sao muitos simpáticas e durante a viagem conhecemos várias com histórias interessantes.  Como a mulher que gosta tanto dos filmes de Bollywood que foi um ano para a India estudar Hindi, escreveu aos seus actores favoritos e teve resposta. Ou o homem que viveu no Japao 20 anos porque a primeira mulher era Japonesa mas infelizmente faleceu e ele agora é casado com uma Italiana. E o barman que cobriu o bar com pinturas fabulosas e que oferece bebidas a quem conseguir resolver os puzzles que ele tem atrás do balcao.

Confesso que bebemos uns quantos copos, mas nao tanto pelos puzzles mas por ser o bar do campo de kitesurf e depois do por do sol toda a gente se juntava ali ‘a conversa.  Tal como já tinhamos experienciado em Dakhla, mesas corridas sao óptimas para a conversa entre estranhos.

Infelizmente, tivémos 3 dias sem vento em que conseguimos fazer um passeio, wakeboarding e SUP (Ao qual eu simpáticamente chamei “fazer sopa”) .

Durante esta viagem ficámos numa casa local.  Bom, nao era uma casa tradicional mas sim a casa que o Geoffrey Bawa, um arquitecto local construiu para ele próprio.  Confesso que já estive em edifícios fantásticos, até mesmo durante esta viagem, mas ficar nesta casa lembrou-me um avisita de estudo que fiz ‘as casas de verao de vários arquitectos e artistas no norte de Portugal.  Passam-se horas a olhar para os pormenores e a perceber com oa casa continua contemporanea apesar dos 50 anos que tem.  E também há os jardins, onde passámos um dia inteiro a passear e conseguimos ver um lagarto-monitor a pescar o jantar.

E depois de jantar lemos sobre a casa e o jardim, e o conceito por detrás da obra, e como a casa era usada, e as festas, e os retiros e sentimos que viajámos no tempo (também nao havia TV nem WiFi).  Esta é uma casa para descansar, e uma pessoa sente que nao consegue ver tudo de uma só vez e que é preciso voltar.  Um pouco como o Sri Lanka.

The route / A rota:

Kandy – Ella – Galle – Bentota – Kalpitya

 

Places visited / Pontos de interesse:

Pinnawala elephant orphanage

Gadaladeniya temple

Emblimeegama tea factory

Peradeniya royal botanic gardens

Sri Dalada Maligawa (temple of the tooth relic)

Galle fort

Lunuganga

Sigiriya

 

Accommodation worth noting / Alojamento que recomendo:

Moutbatten bungalow

Lunuganga

Kitesurfing Lanka