Konbini

konbini

When I was still a student at university, one thing I always said would do well in my city was a convenience store. I even had the full concept for it. Not just a place to buy food and emergency items in the middle of the night but, being  a students’ town, a place where you could take photocopies of your friends notes for an exam, do some internet research (mind this was in the days of dial up connection) or print that essay you needed to hand in at 8AM.

 

Unfortunately, such place never existed and we had to make do with what we had, relying on that friend whose father had a copy machine in his office and the canteen open until 2AM selling tuna sandwiches. And even now there is no such place (though maybe you no longer need the dial up connection).

 

In Japan there is a magic place called konbini (abbreviation of konbiniensu sutoa) which materialises my idea and more.

These stores are spread around the cities in a geodetic marker principle (from one you can usually see two other stores). They are open 24/7, 365 days/year and provide you everything you can imagine between goods and services. You don’t believe me? Let me try to list out some of them.

 

You can buy pre-prepared meals, hot and cold drinks, basic food ingredients, alcoholic drinks and fruit (you must understand in Japan fruit is a special, expensive item). In the winter you even have those oversized pans with boiling oden, a one pot boil of vegetables, eggs and processed fish(?).

Then you have otc medicines, vitamins and all those liver protecting goods for before and after a night out (tried and tested, Guronsan is still the best thing ever).

Condoms, pads, tampons, diapers, toiletries in regular and travel size, and first aid stuff are also there, along with the “I didn’t manage to go home last night section” that sells shirts, underwear, stockings and make up.

Obviously you can also get a bunch of stationery and school items, batteries, postcards for the last minute greetings / condolences and household items.

 

There is always the tobacco machine behind the counter and the magazine rack with a mix of manga, children entertainment and adult contents neatly aligned and sealed (don’t just think you can browse through magazines in a Japanese shop).

 

In the rainy season there are umbrellas; in the summer, pocket towels; in the winter, hand warmers and throughout the year you can find other seasonal items relating to the festivals including costumes in Halloween.

 

Think this is it? Think again.

All kombinis have ATM machines that accept most Japanese cards as well as foreign cards. When we opened our bank account, we were advised to use the 7eleven machines as they don’t charge our bank.

There are also copier-printer-scanners that not only connect to your mobile via an app, they can also be used to print government issued documents like residency certificates if you have the right card (we do, we used it many times, it works great but you need to trick the machine and start in Japanese).

Then, if you want to go a baseball game, a concert or even Studio Ghibli Museum you can buy your tickets at the kombini vending machine. I read that you can even buy airplane tickets there but never tried.

That day you had some dodgy looking food (not sure where, but let me know) and desperately need to use the loo, just look for a kombini and pray their only toilet is not busy.

If you buy stuff online and have nobody at home to pick it or your Visa is not working, you can get your stuff delivered at the kombini and pay for it there in good old cash, Japanese style.

Talking about paying in cash, you can also pay your household bills, healthcare and pension contribution at the kombini as direct debit is something odd in Japan.

And finally, when you are heading to the airport and have a tonne of bags and don’t feel like carrying them, drop them at the kombini the day before and for a small fee they ensure your stuff is at the airport when you get there.

 

Now, with all this stuff, you would think these are supermarket size shops. Think again, because while the new one across the street from us has a decent size, the previous one on the other side of the road was a proper corner shop, no larger than my living room, where you could barely move and only had 2 attendants to ensure the shelves are always stashed, the coffee machine is ready, the oden is cooked, the printers have paper and toner, the toilet is clean and has paper and soap and obviously, manage the cash register and welcome and thank EVERY SINGLE CUSTOMER entering and leaving the premises.

Quando eu andava na universidade, uma coisa que eu dizia sempre que faltava na cidade era uma loja de conveniencia. Eu tinha a ideia toda na cabeca. Para além de vender comida e artigos de emergencia, tinha fotocopiadora para copiar os apontamentos dos amigos, ligacao ‘a internet tipo cyber café (nao se esqeecam que isto era na altura do modem) e computadores onde se pudesse acabar e imprimir aquele trabalho para entregar ‘as 8 da manha.

 

Infelizmente um sitio destes nunca existiu (e acho que ainda hoje nao existe apesar da ligacao ‘a net ter de ser wi-fi) e nós iamos a meio da noite com o amigo cujo pai tinha uma fotocopiadora no escritório copiar os apontamentos e comíamos sandes de atum nas cantinas amarelas que tinham o quiosque aberto até ‘as 2 da manha.

 

No Japao no entanto há um sítio especial chamado konbini (abreviacao de konbiniensu sutoa) que é tudo o que eu tinha imaginado mas melhor.

Os kombinis estao espalhados pelo país num princípio de marco geodésico (de um kombini conseguem-se ver outros dois). Estao abertos 24h por dia, 7dias por semana o ano inteiro e para além de bens também providenciam servicos. Nao acreditam? Fica aqui uma ideia do que conseguem encontrar no kombini.

 

Há refeicoes pré-cozinhadas, bebidas quentes e frias, ingredientes para cozinhar, bebidas alcoólicas e fruta (algo especial no Japao pois é muito cara). No inverno há caldeiroes de oden, um caldo de vegetais, ovo e peixe que é só servir e pagar.

Depois tem medicamentos sem receitas, vitaminas e centenas de produtos para serem tomados antes e depois de uma noitada que protegem o fígado (mas o Guronsan é melhor).

Há preservativos, pensos higiénicos, tampoes, fraldas, artigos de higiene em tamanho normal e de bolso, artigos de primeiros socorros e camisas, roupa interior e maquiagem para quem nao passou a noite em casa.

Também há artigos de papelaria, pilhas, artigos de limpeza para a casa e postais para a ultima da hora inclusivamente os de condolencias.

 

Atrás do balcao há sempre a máquina de tabaco e mesmo ‘a entrada está o expositor de revistas que inclui banda desenhada, revistas infantis e outras para adultos, mas todas devidamente seladas que se querem ler as revistas tem de pagar.

 

Na época das chuvas há guarda chuvas; no verao, toalhas de bolso; no inverno, aquece-maos; e ao longo do ano, dependendo das festividades, há sempre um escaparate temático, que incui disfarces completos no halloween.

 

Mas o kombini nao se fica por aqui. Em todos os kombinis há máquina de multibanco para levanter e depositar dinheiro que aceita cartoes locais e estrangeiros. No nosso banco recomendaram as do 7eleven que sao grátis.

Depois há uma fotocopiadora-scanner-impressora que para além de ter um app para o telemóvel para mandar infirmacao, serve ainda para pedir documentos oficiais como certificados de residencia. Para isto basta ter um cartao especial emitido pelo governo e enganar a máquina, deixando-a pensar que sabemos falar Japones (já testámos várias vezes e funciona impecavelmente).

Se querem ir ver um jogo de basebol, concerto ou até mesmo ao museu do Studio Ghibli podem comprar os bilhetes numa máquina que normalmente está ao lado do multibanco. Eu li que até dá para comprar bilhetes de aviao mas ainda nao experimentei.

E naquele dia em que os protectores do fígado nao funcionaram e precisam urgentemente de uma casa de banho, é só procurar o kombini mais próximo e rezar que a única casa de banho nao esteja ocupada.

Se gostam de fazer compras na internet mas nao podem estar em casa para receber a encomenda ou o cartao nao está a funcionar, podem levantar as vossas coisas e pagar em dinheiro ‘a boa maneira Japonesa no kombini.

E por falar em pagar em dinheiro, também podem pagar aqui as contas da casa, o seguro de saúde e os descontos para a reforma.

E finalmente, quando querem ir embora e teem tantos sacos que nao conseguem carregar com tudo, deixem-nos na véspera no kombini que eles estarao no aeroporto ‘a vossa espera.

 

E agoram pensam voces, mas estas lojas sao do tamanho de hipermercados! Pois, nao sao, na verdade sao mais parecidas com a tabacaria do bairro, onde uma pessoa mal se pode mexer e que tem normalmente 2 funcionários que enchem as prateleiras, tiram café e chá, enchem as máquinas de papel, tinta e afins, limpam a casa de banho regularmente e claro, estao na caixa a atender os clientes ao mesmo tempo que cumprimentam e agradecem a TODAS AS PESSOAS que entram na loja.

Advertisements

Gohan

sdr

It is very interesting how in one year in Tokyo I was asked more times about my food than in a decade in London. Maybe is because Japanese value meals and meal time a lot, or because they mainly eat Japanese food, so there is a lot of curiosity about what foreigners eat in Japan and also what we like and don’t like of Japanese food.

 

Like in London, we try to cook and eat at home Sunday to Thursday and then take the weekend to eat out and try foods. However, in Japan it is very easy to eat out as many places are open until late for a basic ramen so we cheat a bit on this premise.

 

Being a mixed house, we eat a mix of food, and incorporate a bit of our local favourites as well.

Surprisingly, in their essence, Portuguese and Japanese food have many ingredients in common, but the preparation methods are very different. While Japanese have soya sauce we have olive oil, so the basis of the flavour changes.

In addition to the usual vegetable soup pot I cook and  freeze for emergency meals, our staple foods from Portugal are Carne Estufada (Beef stew), Polvo ‘a Lagareiro (Octopus in olive oil), Arroz de Polvo (Octopus risotto) and Carne de Porco ‘a Alentejana (pork with clams), S’s favourite.

Yes, Portuguese eat Octopus and it is easy to find in Japan, so I am making up for the past decade without it. We also eat fish, but that depends on whatever is fresh in the supermarket.

 

Gohan, the title of this post, means both rice and meal. Japanese are very particular about their rice and it is illegal to bring rice from abroad, however, it is possible to find Thai and Basmati rice so we can cook Indian food. Believe me, you do not want Indian food with sticky Japanese rice.

Goan food has many different ingredients from Japanese, but we still manage to eat some of it, since we brought the basic spice mixes. From Goa we make Beef Xacuti and Prawn Curry – though less often than in London – and Chicken Cafreal, which became a favourite of our friends at parties. We do cook a bit of north Indian food with Dal being a regular, accompanied by the chapattis from the Indian shop close to the office. Once in a while, we also do Palak Paneer, one of my favourites, and we ensure a weekly trip to our local Indian restaurant.

 

Japanese, like the Portuguese, have some crazy obsession with food and will travel miles to eat a particular dish. It is not surprising then that every time we travel in Japan we get a list of recommendations of food to eat rather than places to visit.

And while many Japanese foods seem complex to our cooking skills (starting with finding the right ingredients), we managed to learn a few things. We do keep a tub of miso paste in the fridge for a different soup and I even attempted once to make the seaweed and fish broth from scratch but takes too long, so now we get the “teabag” version of dashi. However the most common Japanese food we cook at home is Shogayaki (pork with ginger), as it takes less than 10 minutes (minus the rice in the cooker, which you can time for when you get home). We also eat Tamago Kake Gohan (rice with egg), which may repulse many but it is super tasty and quick. But our absolutely favourite and for which we even found a restaurant close to our house is actually a Japanese-Italian concoction called Mentaiko pasta (spaghetti with spicy cod roe). We love it to the point we improved the online recipe and mastered the technique to take the roe from its skin.

 

And while these are not the only things we eat, they are definitely our regulars, as either we can cook and freeze for other meals or they take very little time to make, because I hate those “30 minute” recipes that assume you have everything at hand and chopped and ready to use.

 

I know some of the links are in Portuguese but that’s why they invented Google Translate, so be brave and let us know how your meals came out.

 

É curioso como num ano a viver em Tóquio ouvi mais vezes a pergunta “O que é que voces comem em casa?” do que em dez anos em Londres. Nao sei se é por os Japoneses darem mais importancia ‘as refeicoes ou porque teem uma gastronomia variada e nao comem muita comida estrangeira, há claramente uma curiosidade em perceber o que é que os  estrangeiros comem e o que e que nós gostamos da gastronomia Japonesa.

 

Tal como em Londres, tentamos comer em casa de Domingo a Quinta e no fim de semana experiementar tascos e restaurantes diferentes. No entanto, comer fora no Japao é muito comum e há restaurantes de ramen abertos a noite toda, e muitas vezes comemos fora mais do que o previsto.

 

Sendo cada um de nós de um sítio diferente, comemos comida de ambos os lados e até já sabemos fazer alguns pratos Japoneses.

Na sua essencia, a comida Portuguesa e Japonesa usa os mesmos ingredientes, no entanto a preparacao é muito distinta, e enquanto eles usam molho de soja nós usamos azeite, o que dá origem a sabores completamente diferentes.

Da cozinha Portuguesa, para além da panela de sopa que faco regularmente para ter refeicoes de emergencia, comemos Carne estufada, Polvo ‘a lagareiro, Arroz de polvo e Carne de porco ‘a Alentejana, o prato favorito do S. Podem ver pelas receitas que aqui é fácil encontrar polvo e assim vingo-me dos ultimos dez anos sem quase o cheirar. Também comemos peixe mas as receitas dependem do que estiver na banca da pesca do dia.

 

Gohan (o título do post) significa tanto arroz como refeicao em Japones, e percebe-se por aqui o quao importante o arroz é na alimentacao, ao ponto de ser proibido trazer arroz na mala. Ainda assim, é possível encontrar arroz Tailandes e Basmati portanto podemos fazer comida Indiana. Acreditem, nao vao querer comer comida Indiana com arroz tipo carolino todo pegajoso.

Apesar da comida Goesa ser muito diferente da Japonesa, como trouxemos especiarias comemos várias vezes Xacuti de Vaca, Caril de Camarao e Frango ‘a Cafreal, que se tornou um dos pratos favoritos dos nossos amigos. Do resto da Índia, comemos ainda Dal (lentilhas) com Chapatis comprados na loja Indiana ao pé do escritório e Palak Paneer (espinafres com queijo), um dos meus pratos favoritos. E para manter a tradicao de Londres, todas as semanas vamos ao Indiano aqui do bairro comer Biryani (arroz de carne).

 

Tal como os Portugueses, os Japoneses sao obcecados por comida e sao capazes de viajar quilómetros só para comer uma especialidade local. Nao é de estranhar portanto que de cada vez que viajamos nos dao uma lista de comidas para provar em vez de sítios a visitar.

Apesar de muitas receitas Japonesas parecerem complicadas (especialmente a parte de encontrar os ingredientes certos), conseguimos aprender algumas que se tornaram também pratos comuns cá em casa. No frigorífico temos sempre uma caixa de pasta miso para fazer sopa. Eu ainda tentei uma vez fazer o caldo dashi de raiz mas demora tanto tempo que agora compramos a versao “saqueta de chá”. No entanto, o prato Japones mais comum cá em casa é Shogayaki (porco com gengibre) que demora exactamente 10 minutos a fazer (o arroz é feito na máquina que pode ser pré programada portanto nao conta). Também comemos Tamago Kake Gohan (arroz com ovo) que é apenas isso, arroz cozido com um ovo misturado e demora menos de 5 minutos. Mas o nosso prato favorito é um híbrido Nipónico-Italiano para o qual até encontrámos um restaurante perto de casa e que se chama Mentaiko pasta (esparguete com ovas picantes). Já cozinhámos tantas vezes este prato que para além de saber a receita de cor nos tornámos especialistas em separar as ovas do saco.

 

Claro que comemos outras coisas, mas estas sao sem dúvida as refeicoes mais comuns cá em casa pois podem ser feitas em grande quantidade e congeladas para comer mais tarde ou demoram muito pouco tempo a fazer.

 

E voces, estao prontos para experientar? Eu sei que alguns dos links estao em Ingles mas o Google Translate ajuda. Depois digam como ficou!

Kotatsu – or why Japan and Portugal are more similar than it looks

Image from Spoon & Tamago
Winter is almost over and it is 9 months since we moved to Japan. Coming from London in the summer, we reached Tokyo in 40 degrees and 90% humidity, but slowly things changed and then it was typhoon season and autumn came and it is now single digit temperatures for most of the days. The most interesting of all this is how similar Japan is to Portugal. Fair enough, we don’t have rain season despite the saying about April and the closest we have to typhoons are the northern winds, but Coimbra is known for its unbearable summer and winters are  cold and the sky is blue. And yes, the light in Tokyo is the closest I have seen to the light in Portugal.

 

But similarities don’t end there. Just like Portugal, Japanese houses and buildings are not really prepared for the cold winters, and we live in one of the few apartments I have seen with double glazing and probably the only one with underfloor heating (only in the living room though). Yes, there is always AC, but that dries the air too much and then you need to buy a humidifier and then your electricity bill comes to an impressive 5 digits. I am still to understand how the “typical” Japanese house, which is smaller than ours (a friend lives in a 20sqm apartment with his girlfriend), copes with all the stuff people have, though I understand that kitchens are almost no existent.  And this is because it is so easy and convenient to get food anytime but we leave that for another post.

 

So back to similar things, one of my oldest “keeping warm” childhood memories, which comes right after the putting the pyjamas on the radiator while having a shower to dress warm clothes, is the “braseira”. The braseira is a round table with a thick fabric cover that has an electric heater (braseira means the place to keep the embers, which is how it originated but later develop to electric) underneath. So every winter my grandmothers used to seat at the braseira when they were embroidering, crocheting, reading or watching tv. Tea at my great aunt’s house was until her last days at the braseira. The table where I did my homework from school was a braseira. And there was a lot of faff around the braseira. You see, if you don’t lift the table cover and just push your legs in, the cloth will catch fire. And so may your trousers if they are too lose. Also, you need to seat and behave properly as messing with your feet under the table is just going to burn you… But enough about it, or not. Because as autumn arrived I seen on a few shops and restaurants this low table with what looked like a duvet on top. I wondered how that worked and realised it is the exact same thing but in Japanese floor seating version, where the heater is stick to the table top. Unfortunately I have not yet had a chance at trying one of these tables called kotatsu, but I can only imagine it feels good having tea and mochi seating at one of those… Maybe next winter, because now spring is arriving.

 O inverno está a chegar ao fim e já passaram quase 9 meses desde que chegámos ao Japao. Nessa altura, aterrámos vindos de Londres numa cidade que estava com 40graus e mais de 90% de humidade, mas aos poucos o clima foi mudando. Primeiro vieram os tufoes, depois o outono e por agora os termómetros ainda mostram temperaturas invernais. Mas isto para mim nao é propriamente novidade, visto o colima aqui ser mais parecido com Portugal (e Coimbra especificamente) do que com Londres. Em Portugal nao temos necessáriamente época de chuvas apesar do ditado sobre abril e o mais parecido que temos com tufoes é a nortada, mas os Agostos em Coimbra sao tao maus que a cidade fecha e muda-se para a costa. E o céu no inverno em Portugal continua azul, tal como aqui, que é a cidade que tem a luz mais parecida com Portugal no inverno.

 

Mas para além do clima, tal como em Portugal, as casas no Japao nao estao necessáriamente preparadas para o inverno (lá está, devem achar que teem um clima temperado apesar da neve que cai religiosamente um dia por ano) e o nosso apartamento é dos poucos que eu vi com vidros duplos e provavelmente o único com pavimento radiante (só na sala mas já ajuda). Pois ar condicionado há sempre e pode usar-se para aquecer, mas depois isso seca o ar e é preciso comprar um humidificador e a conta da electricidade mais que duplica. E eu nao percebo onde é que os Japoneses arrumam esta tralha toda, visto ter vários amigos que vivem em apartamentos com 20m2. Bem sei que nao teem cozinhas mas ainda assim.

 

Voltando ‘as semelhancas e ao inverno. Uma memória que guardo desde crianca, junto com o pijama no radiador para vestir depois do banho quentinho é as tardes ‘a braseira. As minhas avós tinham braseiras em casa onde se sentavam a ver televisao, ler, bordar ou fazer crochet. O chá em casa da tia-avó era sempre ‘a braseira. Os trabalhos de casa eram feitos na braseira também na nossa casa antiga. E depois era toda aquela dinamica do cuidado para nao queimar a camilha, as roupas ou os pés e as pernas a ficarem super quentes ali debaixo enquanto que as costas estavam sempre frias.

Pois um dia ia a passar em frente a um restaurante quando vi o que parecia uma mesa Japonesa com um edredon por cima. Nao percebi bem o que era e pensei que aquilo estava mal posto mas uns dias depois voltei a ver outra mesa posta da mesma maneira, e outra, e mais outra mas agora numa loja… Pois isto deve ser mesmo assim. E tal como a nossa brasira, aquela mesa tem um aquecedor preso ao tampo (pois ‘a maneira Japosena é uma mesa baixa) e é para no inverno aquecer a malta, tal como a braseira. Infelizmente ainda nao experimentei nenhuma, mas imagino que um chá com com mochi numa tarde de inverno ao kotatsu saiba mesmo bem… Mas agora só para o ano, porque a primavera está a chegar.

Quickie #11

You realise you’re getting used to this city when, despite all the stuff you have collected at an architecture fair plus the shirts you got from the laundry,  you don’t bother going home on your way to your evening appointment as you known there is a coin locker nearby where you can keep it all until the end of the day.

Apercebemo nos que nos habituámos a esta cidade quando, apesar da tralha toda que trouxemos de uma feira de arquitectura e das camisas que fomos buscar à lavandaria, seguimos para uma conferencia e deixamos os sacos num cacifo na estação onde voltamos ao fim do dia a caminho de casa.

Mastering the art of reading by pictures

cof
elephants not allowed
There are small things on our everyday life that we only notice when they become a problem.  Before moving here I was aware that Japanese is not written in the same scrip that I know, and quickly noticed food labels are all in Japanese.  Thanks to Google Translate, we can make some sense of these as well as menus in a restaurant.

 

The problem starts when we have to fill in legal documents, such as home insurance or opening the electricity account, but for those S gets help from his colleagues at work.

But then, there is an array of other stuff you never think about.

 

Say, you just bought an oven because the Japanese houses don’t come furnished nor with appliances and you want to cook.  You head to a big department store, find an English speaking salesperson and look for the cheapest oven because you are not taking it out of Japan afterwards as the voltage is different.  You bring your fancy shiny new oven home which actually also double as a microwave and you have to love Japanese for these 2-in-1 space saving solutions and you plug your oven including that ridiculous earth wire that is separated rather than part of the plug.  And you are ready to cook.

 

But wait.  How do I know if this is the microwave or the oven?  That’s easy, pick up the instruction manual, and find it is all written in Japanese.  Ask Mr. Google and he can only find the Japanese manual but offers to translate.  Cool, do it! But suddenly the sentences make no sense and you can’t distinguish which sign means what and it looks like the oven is just going to stay there unused.  What a waste.

 

But then one day you wake up and think enough of this nonsense, what’s the worse that can happen?  And you figure the 4 basic modes of the oven are microwave, grill, steam and oven.  So that’s sorted.  Then you attempt to heat some soup and it works.  A few days later, you decide to test the grill and look at the instructions more carefully.  By now you are getting used to Japanese imagery and figure how to make grilled swordfish with vegetables, but they could be a bit less dry.  Afterwards, you become the master of the oven and attempt a Sunday roast which works out ok and are already planning the biggest challenge, cake baking.  But we have to wait a bit for that.

 

And just like the oven, everyday you need to master the skill of not reading Japanese but being able to sign up for the store point card or understand the signs that tell you elephants are not allowed maybe mean something like no littering or smoking.

Há coisas no nosso dia-a-dia que só notamos quando se tornam um problema.  Antes de vir para o Japao eu tinha nocao que eu nao sei Japones e nao consigo sequer ler as palavras pois o alfabeto é diferente, coisa que ao fim de uma visita ou supermercado se tornou óbvia e que transformou o Google Translate no meu companheiro de compras e refeicoes.

 

O problema comeca quando nao sao apenas algumas palavras que teem de ser traduzidas mas sim frases inteiras em documentos legais, como o seguro da casa ou o contracto da electricidade.  Para isso, o S leva os papeis para o escritório e com a ajuda dos colegas consegue resolver as coisas.  Mas depois ha todas as outras coisas que nunca nos lembramos.

 

Por exemplo, como por aqui as casas nao teem nada tens de comprar um forno.  Vais até ‘a loja de electrodomésticos, procuras um funcionário que fale Ingles e escolhes o forno mais barato porque nao vais levar o forno contigo quando te fores embora.  Chegas a casa com o forno novo que tambem é microondas que nisto de solucoes para espacos pequenos os Japoneses sao muito bons e ligas o forno ‘a tomada sem esquecer aquele fio que é para fazer a ligacao ‘a terra e que por uma razao que desconheces está separado da tomada mas aqui e mesmo assim.  E está pronto a usar.

 

Mas como é que eu sei qual é o microondas e qual é o forno?  Deixa cá ver o manual de instrucoes, que está todo em Japones.  Mas no Google de certeza que encontro em Ingles, ou talvez nao.  Mas o Google oferece-se para traduzir o manual Japones, fixe, e de repente aparece um texo em Ingles que nao faz sentido nenhum e nao diz que botao faz o que e isto foi um desperdício, nao devia ter comprado o forno.

 

Ao fim de uns dias decides que ja chega de desperdício e decides experiemntar o forno.  Afinal, o pior que pode acontecer é a comida queimar ou nao cozinhar certo?  Lá descobres que o forno tem 4 funcoes:  micro-ondas, grelhador, vapor e forno.  Experimentas aquecer uma sopa e consegues sem partit nada.  Uns dias depois, testas o grelhador e consegues fazer peixe espada com vegetais, mas devia ter ficado menos tempo que o peixe esta seco.  No domingo achas que és o rei da cozinha e fazes porco assado e até corre bem e comecas a planear o mais difícil, fazer um bolo, mas isso só daqui a umas semanas.

 

E tal como com o forno, todos os dias aprendes a fzer coisas como pedir o cartao de pontos da loja ou perceber que o sinal que parece dizer que nao se pode ter elefantes se calhar quer dizer que é proibido fumar e fazer lixo.