time for sushi

 

As we had been a bit busy with our visitors, I was just going to share this short film by David Lewandowski, but it prompted a few more words.

While the video is a bit nonsense and even weird, I have watched it quite a few times trying to identify the places where it is shot.

How much do you recognise of the city you live in?

Late last year I had the chance to watch a much waited anime called Your name on a flight (that’s where I can watch the latest releases). I was interested in the story but soon became obsessed with identifying the places it happens. And all because in an early scene the building where I live shows up, and we have moved to Tokyo recently, so being able to recognize a part of this city got me very happy. From then onwards, I even paused the film (it was a long haul flight) to try and identify the places.

 

I cannot explain with words, but there is something comforting about it, gives a bit of a sense of belonging. I recognize the streets, not just the landmarks.

 

Unfortunately, with this short film above I still have many places to identify, although I can tell you it is definitely Japan.

 

Como temos estado ocupados com as visitas, estava apenas a pensar partilhar esta curta metragem de David Lewandowski, mas depois senti vontade de escrever um pouco mais.

Apesar do filme ser um bocadinho nonsense e até mesmo estranho, já o vi algumas vezes para tentar reconhecer os sítios onde é filmado.

 

Quanto é que voces reconhecem das cidades onde vivem?

No final do ano passado consegui encontrar num voo um filme de anime que queria mesmo ver (é onde vejo as novidades cinematográficas ultimamente). Estava muito curiosa por ver O Teu Nome por causa da história, mas ao fim de uns minutos fiquei obcecada por reconhecer os sítios, de tal modo que parava o filme para olhar atentamente para a imagem no écran em pausa (voos de longo curso dao para isto). E tudo porque logo no início há uma cena mesmo em frente ao prédio onde vivemos aqui em Tóquio, e desde aí comecei a tentar perceber a geografia da cidade no filme.

Bom, nao é só a geografia, é um pouco mais que isso. É sentir algum conforto e familiaridade ao reconhecer as ruas e os bairros, nao só as atraccoes turísticas, desta cidade imensa.

 

Infelizmente, nesta curta metragem no cimo do post nao consigo reconhecer quase nada, mas é definitivamente Japao.

Gohan

sdr

It is very interesting how in one year in Tokyo I was asked more times about my food than in a decade in London. Maybe is because Japanese value meals and meal time a lot, or because they mainly eat Japanese food, so there is a lot of curiosity about what foreigners eat in Japan and also what we like and don’t like of Japanese food.

 

Like in London, we try to cook and eat at home Sunday to Thursday and then take the weekend to eat out and try foods. However, in Japan it is very easy to eat out as many places are open until late for a basic ramen so we cheat a bit on this premise.

 

Being a mixed house, we eat a mix of food, and incorporate a bit of our local favourites as well.

Surprisingly, in their essence, Portuguese and Japanese food have many ingredients in common, but the preparation methods are very different. While Japanese have soya sauce we have olive oil, so the basis of the flavour changes.

In addition to the usual vegetable soup pot I cook and  freeze for emergency meals, our staple foods from Portugal are Carne Estufada (Beef stew), Polvo ‘a Lagareiro (Octopus in olive oil), Arroz de Polvo (Octopus risotto) and Carne de Porco ‘a Alentejana (pork with clams), S’s favourite.

Yes, Portuguese eat Octopus and it is easy to find in Japan, so I am making up for the past decade without it. We also eat fish, but that depends on whatever is fresh in the supermarket.

 

Gohan, the title of this post, means both rice and meal. Japanese are very particular about their rice and it is illegal to bring rice from abroad, however, it is possible to find Thai and Basmati rice so we can cook Indian food. Believe me, you do not want Indian food with sticky Japanese rice.

Goan food has many different ingredients from Japanese, but we still manage to eat some of it, since we brought the basic spice mixes. From Goa we make Beef Xacuti and Prawn Curry – though less often than in London – and Chicken Cafreal, which became a favourite of our friends at parties. We do cook a bit of north Indian food with Dal being a regular, accompanied by the chapattis from the Indian shop close to the office. Once in a while, we also do Palak Paneer, one of my favourites, and we ensure a weekly trip to our local Indian restaurant.

 

Japanese, like the Portuguese, have some crazy obsession with food and will travel miles to eat a particular dish. It is not surprising then that every time we travel in Japan we get a list of recommendations of food to eat rather than places to visit.

And while many Japanese foods seem complex to our cooking skills (starting with finding the right ingredients), we managed to learn a few things. We do keep a tub of miso paste in the fridge for a different soup and I even attempted once to make the seaweed and fish broth from scratch but takes too long, so now we get the “teabag” version of dashi. However the most common Japanese food we cook at home is Shogayaki (pork with ginger), as it takes less than 10 minutes (minus the rice in the cooker, which you can time for when you get home). We also eat Tamago Kake Gohan (rice with egg), which may repulse many but it is super tasty and quick. But our absolutely favourite and for which we even found a restaurant close to our house is actually a Japanese-Italian concoction called Mentaiko pasta (spaghetti with spicy cod roe). We love it to the point we improved the online recipe and mastered the technique to take the roe from its skin.

 

And while these are not the only things we eat, they are definitely our regulars, as either we can cook and freeze for other meals or they take very little time to make, because I hate those “30 minute” recipes that assume you have everything at hand and chopped and ready to use.

 

I know some of the links are in Portuguese but that’s why they invented Google Translate, so be brave and let us know how your meals came out.

 

É curioso como num ano a viver em Tóquio ouvi mais vezes a pergunta “O que é que voces comem em casa?” do que em dez anos em Londres. Nao sei se é por os Japoneses darem mais importancia ‘as refeicoes ou porque teem uma gastronomia variada e nao comem muita comida estrangeira, há claramente uma curiosidade em perceber o que é que os  estrangeiros comem e o que e que nós gostamos da gastronomia Japonesa.

 

Tal como em Londres, tentamos comer em casa de Domingo a Quinta e no fim de semana experiementar tascos e restaurantes diferentes. No entanto, comer fora no Japao é muito comum e há restaurantes de ramen abertos a noite toda, e muitas vezes comemos fora mais do que o previsto.

 

Sendo cada um de nós de um sítio diferente, comemos comida de ambos os lados e até já sabemos fazer alguns pratos Japoneses.

Na sua essencia, a comida Portuguesa e Japonesa usa os mesmos ingredientes, no entanto a preparacao é muito distinta, e enquanto eles usam molho de soja nós usamos azeite, o que dá origem a sabores completamente diferentes.

Da cozinha Portuguesa, para além da panela de sopa que faco regularmente para ter refeicoes de emergencia, comemos Carne estufada, Polvo ‘a lagareiro, Arroz de polvo e Carne de porco ‘a Alentejana, o prato favorito do S. Podem ver pelas receitas que aqui é fácil encontrar polvo e assim vingo-me dos ultimos dez anos sem quase o cheirar. Também comemos peixe mas as receitas dependem do que estiver na banca da pesca do dia.

 

Gohan (o título do post) significa tanto arroz como refeicao em Japones, e percebe-se por aqui o quao importante o arroz é na alimentacao, ao ponto de ser proibido trazer arroz na mala. Ainda assim, é possível encontrar arroz Tailandes e Basmati portanto podemos fazer comida Indiana. Acreditem, nao vao querer comer comida Indiana com arroz tipo carolino todo pegajoso.

Apesar da comida Goesa ser muito diferente da Japonesa, como trouxemos especiarias comemos várias vezes Xacuti de Vaca, Caril de Camarao e Frango ‘a Cafreal, que se tornou um dos pratos favoritos dos nossos amigos. Do resto da Índia, comemos ainda Dal (lentilhas) com Chapatis comprados na loja Indiana ao pé do escritório e Palak Paneer (espinafres com queijo), um dos meus pratos favoritos. E para manter a tradicao de Londres, todas as semanas vamos ao Indiano aqui do bairro comer Biryani (arroz de carne).

 

Tal como os Portugueses, os Japoneses sao obcecados por comida e sao capazes de viajar quilómetros só para comer uma especialidade local. Nao é de estranhar portanto que de cada vez que viajamos nos dao uma lista de comidas para provar em vez de sítios a visitar.

Apesar de muitas receitas Japonesas parecerem complicadas (especialmente a parte de encontrar os ingredientes certos), conseguimos aprender algumas que se tornaram também pratos comuns cá em casa. No frigorífico temos sempre uma caixa de pasta miso para fazer sopa. Eu ainda tentei uma vez fazer o caldo dashi de raiz mas demora tanto tempo que agora compramos a versao “saqueta de chá”. No entanto, o prato Japones mais comum cá em casa é Shogayaki (porco com gengibre) que demora exactamente 10 minutos a fazer (o arroz é feito na máquina que pode ser pré programada portanto nao conta). Também comemos Tamago Kake Gohan (arroz com ovo) que é apenas isso, arroz cozido com um ovo misturado e demora menos de 5 minutos. Mas o nosso prato favorito é um híbrido Nipónico-Italiano para o qual até encontrámos um restaurante perto de casa e que se chama Mentaiko pasta (esparguete com ovas picantes). Já cozinhámos tantas vezes este prato que para além de saber a receita de cor nos tornámos especialistas em separar as ovas do saco.

 

Claro que comemos outras coisas, mas estas sao sem dúvida as refeicoes mais comuns cá em casa pois podem ser feitas em grande quantidade e congeladas para comer mais tarde ou demoram muito pouco tempo a fazer.

 

E voces, estao prontos para experientar? Eu sei que alguns dos links estao em Ingles mas o Google Translate ajuda. Depois digam como ficou!

East and West

(Por motivos técnicos, o post em Português está abaixo e para verem fotos é seguir o link do Instagram aqui ao lado 👉)
Back in 2002 I went to China for 8 weeks for an academic project. Landing in Beijing I had the feeling of being somewhere very different. Before that, my travels have taken me to Europe and Brasil, though at the time I was so young that the fact we had a common language made me forget I was in a different continent across the ocean. So yeah, landing in Beijing 15 years ago was the realisation of the world and I clearly remember stepping out of the airport and thinking “I’m in China, Asia, the far East”.

7 weeks, many train and bus rides and quite a lot of Chinese cigarettes later, I returned to Beijing and felt that it was actually quite westernised / international as there was Coca-Cola, Marlboro cigarettes and Mac Donald’s. I had just been living in a village in Sichuan province for 6 weeks and while the experience was amazing, the only familiar thing I found were some Portuguese looking and tasting cakes I would buy every other day, so that was a real eye opener.

Much has happened since then but as I write this post in Shanghai, I can’t help but going back to the memory of that trip.

China doesn’t feel as different anymore. Yes, they still sell snakes in the market and going into a shop or restaurant is an adventure. The most difficult bit is the Google ban. I know your going to say I don’t really need it but small things like trying to find the exchange rate or translate words is very difficult. Yes, back then there was no Google, so we weren’t hooked up on it but we also had translators…

So far it has been a very pleasant surprise. I find China became much cleaner, like Japanese clean; the infrastructure seems to have developed along with the city, so there’s a wide network of public transport, sewage, electricity and so on; public places are still that, so there’s Tai Chi in the morning and dance in the evening in the garden nearby. There’s the best cycle scheme I’ve seen to date and phone boots have been converted into WiFi points. I’m looking forward for the next days. (To the the pictures of this trip please follow the Instagram link on the side 👉)

….

Em 2002 fui à China para um projecto académico. Apesar de ter saído várias vezes de Portugal, aterrar em Pequim foi ter verdadeiramente a noção da grandeza do mundo e lembro-me perfeitamente de pensar “aterrei na China, Ásia, extremo oriente”.

7 semanas, muitos comboios autocarros e cigarros chineses depois regressei a Pequim e pensei que afinal a cidade era muito mais ocidental do que eu pensava. Afinal havia coca-cola, Marlboro e Mac Donalds, ao contrário da aldeia de Sechuan onde vivi 6 semanas e o mais familiar que encontrei foi um bolo que parecia pão de ló.

Desde então já se passou muita coisa e agora eu vivo no extremo oriente, mas voltar à China traz memórias e naturalmente comparações.

A China já não parece tão diferente como há 15 anos apesar de continuarem a vender cobras no mercado (para comer claro) e ir a um restaurante continua a ser uma aventura, apesar de muitos menus terem fotos ou texto em inglês. O mais complicado tem sido o bloqueio da China ao Google, portanto ver mapas ou traduções ou o câmbio da moeda são coisas impossíveis. Bem sei que em 2002 não havia Google, portanto não estávamos habituados a usá-lo, mas também tínhamos tradutores…

Tirando este pormenor, esta viagem tem sido uma agradável surpresa. A China está limpíssima, como o Japão; a cidade de Shanghai desenvolveu uma rede de infraestrutura que acompanha o crescimento urbano: Bons transportes públicos, rede de esgotos e eléctrica. Apesar do crescimento, os jardins e praças continuam a ser espaços públicos, com ginástica matinal e dança ao fim do dia. Têm uma rede de bicicletas de aluguer muito avançada, em que apenas é preciso um telemóvel para poder usar. As bicicletas estão espalhadas pela cidade e podem deixar-se praticamente em qualquer lado sem precisar de um sítio especial (ao contrário das Londrinas) e as velhas cabines telefónicas foram convertidas em pontos de WiFi. Estou curiosa com os passeios destes próximos dias.

Sumo

While I am not a big fan of fighting sports and spending a full day watching one was never part of my plans, I found myself buying tickets for a sumo tournament earlier this year. It is something that is intrinsically Japanese and watching it elsewhere would feel like a cheap copy.

 

So on a Sunday lunchtime I headed to Ryōgoku Kokugikan wondering what the day would be like.

We had a list of all the players and it seemed to me there were more than a hundred of them. How could it be? So the truth is each match takes only a few seconds, literally, and it is preceded by a longer ritual that takes probably 5 minutes that involves greeting, salt and much applause from the public. Wikipedia has some explanation of all this, so I will try to explain the rest.

 

Going to a sumo match is like a day out. You can take your picnic or buy food and drinks at the hall. There are seats like a theatre at the higher levels and at the lower level of the hall, next to the ring, there are floor seating areas for groups. There are mascots and souvenirs and cut out real size westlers for photo ops and there is a vibe of excitement in the air, though organized excitement or course.

You recall I mentioned you can bring or buy food and drinks? Yes, and in proper Japanese style these are themed with the event, but also as you enter the complex you are handed 2 plastic bags: one for combustible and one for non combustible and recyclable waste. Very organised.

 

Also, while your ticket is checked at the entrance of the complex nobody checks if you seat at your place or go down to the area closer to the ring, which means you can wonder around and experience for a few minutes being closer to the action (however you feel a sort of mental barrier that doesn’t allow you to stay for too long down there, and you must ensure you leave all the routes clear for emergency evacuation). You see, very organised.

 

A couple of matches in and I was already trying to guess the winner of the round along with my friends, while looking at the notes the guy in front was taking. Because he was taking it seriously and wanted to know exactly who was going to the next round. At some point, a wave of cheers and applause filled the air and it was clear it was the Japanese champion entering the ring, and it was a big thing as for almost 20 years there has not been a Japanese yokozuna.

 

And you know how other sports have advertisement playing on screens or around the fields? Well in Sumo they are on banners that men carry around the ring in between matches.

Oh, and did I mention that the winner gets a cow?

If you ever come to Japan and have a chance go to a match, it is definitely worth it.

Apesar de nao ser fa de desportos de luta e muito menos de passar um dia inteiro a ve-los, dei por mim a comprar bilhetes para um torneio de sumo no início do ano. O Sumo é um desporto Japones, e assistir a um torneio fora do Japao seria como comer leitao fora da Bairrada.

 

E no dia marcado, ‘a hora de almoco, lá fui até ao Ryōgoku Kokugikan para ver o torneio.

Como o bilhete deram-nos uma lista de lutadores que incluia mais de 100 nomes. Mas como é posssível lutarem todos no mesmo dia? É possível sim porque cada luta dura apenas uns segundos e é antecedia por rituais de cumprimentos, sal e aplausos que duram no máximo 5 minutos. Piscas os olhos por um momento e acabou o round! Como a wikipédia tem uma explicacao detalhada sobre o sumo (em Ingles), vou falar aqui do resto.

 

Ir a um torneio de sumo é um dia bem passado. Pode levar-se piquienique ou comprar nas lojas da arena comes e bebes. Há luhares sentados como no teatro mas há também lugares sentados no chao em boxes mesmo ao pé do ringue. Há mascotes, souvenirs e lutadores de sumo em cartao de tamanho real para tirar fotos. E ha muita excitacao no ar, mas excitacao organizada claro.

Lembram-se de eu ter falado da comida acima? Pois nas várias bancas há comes e bebes temáticos (como euq uqalquer evento no Japao) mas antes disso,  mesmo ‘a entrada, dao-nos 2 sacos de plástico devidamente identificados para o lixo combustível e nao combustível/reciclável.

 

Depois de verificarem os nossos ilhetes ‘a entrada, ninguém vai confirmar se nos sentamos no nosso logar, portanto ao longo do dia podemos deambular pela arena e ir ao pé do ringue ver um jogo ao perto (sem bloquear as saídas de emergencia). Mas a verdade é que uma pessoa sente sempre que nao devia estar ali e fica apenas o tempo suficiente para tirar umas fotos.

 

Ao fim de uns jogos dei por mim a adivinhar qual seria o vencedor do round, enquanto tentava ler as notas que o tipo ‘a minha frente estava a tirar (ele estava a seguir a coisa memso a sério). A uma certa altura, uma grande ronda de aplausos encheu a arena e o Campeao Japones entrou. A festa foi enorme porque há quase 20 anos que o Japao nao tem um Yokozuna.

 

Ah, e sabem como sempre que há desporto há publicidade e patrocínos, normalmente em écrans ou em volta do estádio? Pois aqui, muito old style, entram homens com estandartes pintados e andam em volta do ringue enquanto os lutadores trocam.

E esqueci-me de dizer, que o vencedor ganha uma vaca!

Foi decididamente um dia bem passado e recomendo a quem cá vier.

One year | Um ano

shibuya
Shibuya  scramble the night we arrived | O cruzamento de Shibuya na noite em que chegámos
It is a bit delayed, but it is surely still Sunday somewhere in the world (or does that just apply to cocktail hour?).

 

It was a hectic weekend, from Friday to Sunday evening we barely had time to stop home. It is a good sign, especially as we were always with friends we made since we arrived, but also, as we informally celebrated our first year in Tokyo we had our first farewell.

 

It is a year (and 4 days to be precise) since we arrived, and my main expectation was the adventure of coming somewhere different. But while we had a brief image of Japan from the media, being here showed another side, or better, other layers of Japan, and Tokyo is clearly not all of Japan.

 

Probably the most amazing part of Japan are the seasons, which move with Swiss clock precision.

We landed in the rainy season and learned it is not worth investing in an expensive umbrella as it is likely to be swapped. Then came Summer with our first visitors, followed by typhoons where I witnessed our clothes rack swirling in the balcony, performing a weird dance and threatening to climb the 1.2m high balustrade. With the next visitors came autumn, a few weeks later was koyo and finally the sky turned blue and the air crisp and it was winter. Yes, cold but beautiful. At the end of winter came the first plum blossoms, which announce the arrival of the much waited and officially forecasted sakura (cherry blossoms). Springs starts at that point, and finally when the hydrangeas blossom the rain comes again.

 

Getting out of Tokyo once in a while allowed us to see the countryside, and while the Japanese villages we have seen so far are nothing to write home about, the landscape is amazing. Forests, mountains, volcanos, lakes, beaches… there is so much to see, such varied landscapes and colours you never get bored.

 

Japanese are known for their politeness and good manners, and going into a shop includes all the bows and sellers carrying your bags to the door after carefully wrapping  your things in a beautiful manner. However, enter the metro or trains and suddenly you are pushed, elbowed on the ribs and dragged along and nobody makes a sound. And while this still disturbs me, I found myself thinking that a Japanese guy that “sumimasened” his way through the train was clearly not from here.

 

We all (or at least I) expect Japan to be super developed and advanced, and while this is true in some things, like for example the speed at which the train gates read the pass; or the shinkansen; or the robots in the mobile phone shops, it is also a country where very old technology is still used. Many companies use fax on a regular basis. Most shops don’t take card payment and you find yourself carrying the equivalent to $500 in your wallet most days. The concept of direct debit is quite rare and many bills are payed in the kombini (convenience store – which deserves a post on its own).

Generally you get used to this but it is very surprising, especially as you notice this country is not afraid of robots, in fact they love them! Just watch Astro Boy or go to the Miraikan and you will understand what I am saying. There is almost a romanticised vision of a robotic future while enjoying the lifestyle of the Edo period. Or as a Japanese said, they programme the robots to operate the fax machine.

Está um pouco atrasado, mas algures no mundo ainda deve ser domingo (até parece uma música do Sérgio Godinho).

 

O fim de semana esteve tao ocupado que mal tivémos tempo para dormir. Entre almocos e jantares com amigos que fizémos aqui, houve tempo para assinalar o aniversário da nossa chegada a Tóquio e a primeira despedida de amigos que regressam a casa.

 

Faz exactamente um ano e 4 dias desde que chegámos, e apesar das expectativas, o Japao nao é exactamente o que se ve na TV e algumas coisas sao bem diferentes do que tínha(mos) em mente. E obviamente, Tóquio nao é o Japao todo.

 

Apesar das cerejeiras em flor fazerem parte da imagem do Japao, isso sao apenas umas semanas e as estacoes do ano sao todas muito diferentes.

Aterrámos em plena época das chuvas e aprendemos que o guarda chuva do Kombini (um post sobre as lojas de conveniencia está para vir em breve) é a melhor compra porque vai certamente ser levado por engano na próxima paragem. Depois vieram as primeiras visitas e com elas chegou o verao, seguido dos tufoes em que o estendal da roupa andou numa danca ali na varanda e quase se suicidou, nao fosse o parapeito ter 1.2m. Com a visita seguinte chegou o outono e umas semanas depois as árvores mudaram de cor para o koyo. Finalmente o céu ficou azul e límpido e as temperaturas desceram, o que significa que chegou o inverno. Em breve as flores de ameixoeira anunciaram a chegada da tao esperada sakura (as tais cerejeiras) que é um verdadeiro espectáculo. Com estas flores chegou a primavera e agora, com as hortensias, voltámos  ‘a época das chuvas.

 

Enquanto que as cidades sao super densas e as aldeias nao sao nada de especial, a paisagem natural Japonesa é fantástica. Florestas, montanhas, vulcoes, lagos, praias… uma imensidao de coisas para ver, que o difícil é ter tempo para tudo.

 

Os Japoneses sao famosos pela boa educacao e modos, e ir ‘as compras inclui os vendedores trazerem o saco das compras ‘a porta, nao sem antes terem feito um embrulho bonito (e nem sequer é preciso pedir), sempre a agradecer. No entanto, no metro e comboios transformam-se e somos empurrados, esmagados e acotovelados e nunca se ouve uma palavra.  E apesar de isto me perturbar, dei comigo a pensar no outro dia que um tipo que ia a dizer sumimasen a torto e a direito enquanto tentava atravessar a carruagem nao devia ser de cá.

 

Antes de vir, eu pensava que o Japao era todo super high tech, e apesar de isto ser parcialmente verdade, pois as máquinas de ler o passe do metro sao super rápidas, e eles tem o shinkasen e robots nalgumas lojas, nao deixa de ser um facto que ainda usam tecnologia que muitos de nós consideram obsoleta. Muitas empresas ainda usam fax quase diariamente; a maior parte do comércio nao aceita cartao, e é normal termos de andar com o equivalente a $500 no bolso e pagamentos por transferencia bancária sao muito complexos e as empresas preferem mandar a conta para irmos pagar ao kombini. Uma pessoa habitua-se é claro, mas nao deixa de ser estranho num país que nao tem medo de robots e tecnologia. Basta ver o Astro Boy ou ir ao Miraikan para perceber. Parece que tem uma visao romantica, em que o futuro é automatizado mas o tipo de vida é ainda o do período Edo. Ou como um Japones me disse, eles ensinam os robots a usar o fax.

 

A walk in Taipei

A few months ago I went to Taipei for a work trip and took advantage of the late-in-the-week meeting to stay for the weekend. I was unsure of what to expect, but was a pleasant surprise.

 

From a very pink Hello Kitty flight, I looked out from the airplane window as we landed to find what seemed like a grey concrete mass, turned even duller by the overcast sky and grey light, combined with the shower spray rain and the colder than expected weather forecast. In the airport though, I found some very friendly people and found my way to the office very easily.

On the first night I was lucky enough to be located in a fancy suite in a different hotel, but only noticed my view in the morning, so did not have a chance of a night photo of 101 face on.

 

Breakfast included, in addition to the western style food, some yummy baozi (steamed buns) that became my obsession at every meal. Put these together with all the bakeries I came across, street food stalls, and night markets and I can tell you that in Taiwan the problem is choosing what to eat.

 

I just had over 24h free time, as I wanted to experience the hotel pool and bath before the flight, so Saturday morning I grabbed the booklet I picked from the airport tourist desk and headed to the furthest point, Longshan Temple, where I was lucky enough to get lost for a few moment  in the chanting of monks among the chaos of tourists and visitors.

 

10 hours, 15 km and many pictures later I was back in the hotel with the feeling that there was still so much to see, especially in the mountains surrounding the city that probably hold the key to the Portuguese name of the island “Formosa”.

 

I realised at the end of the day that I didn’t really stop for a meal, but throughout the day I got to snack on a variety of foods from street vendors or samples from the dried fruit shops and many cups of Oolong (the local tea) and that was quite a filling experience. Still, there is one unknown ingredient on many street foods that does not agree with my senses and many times I had to hold my breath and walk quickly to cross the shops.

 

After all that walking, I can tell you that Taipei is not grey, as the temple lanterns, the taxis and many street signs give it a vibrant yellow tone, that better reflects the lively night markets and friendliness of the people.

 

Há uns meses fui a Taipei em trabalho e aproveitei a reuniao ser no final da semana para passar lá o fim-de-semana. Nao tinha muitas expectativas mas Taipei foi uma bela surpresa.

 

Pela janela de um voo cor de rosa da Hello Kitty vi que aterrava no meio de uma massa de betao, tornada ainda mais triste pelo ceu nublado, a luz cinzenta, a chuva miudinha e a aragem fria que nao estava prevista pela meteorologia.Mas logo no aeroporto as impressoes comecaram a mudar ao falar com pessoas simpátias e a descobrir o quao fácil é circular na cidade.

NA primeira noite tive um upgrade para uma suite num hotel melhor, mas infelizmente só de manha é que me apercebi da vista fantástica para o 101. Nao faz mal, a foto nocturna fica para a próxima visita.

 

Ao pequeno almoco, para além da comida ocidental, havia uns baozi (paezinhos a vapor) que se tornaram obrigatórios a todas as refeicoes. Estes baozi, juntamente com as padarias e pastelarias, bancas de comida e mercados de rua dificultavam a escolha do que comer, tal era a variedade da oferta.

 

Em Taipei tive pouco mais de 24 horas livres, especialmente porque queria experimentar a piscina e o banho do hotel, portanto sábado de manha pus na mochila a brochura que trouxe do balcao de turismo do aeroporto e segui para o sítio sugerido mais longe, o Templo de Longshan, onde me perdi por momentos  nos canticos dos monges no meio do caos de turistas e visitantes.

 

10 horas, 15 quilómetros e muitas fotos depois estava de volta ao hotel com a sensacao que ainda tinha muito para ver, especialmente nas montanhas que rodeiam a cidade e que parecem justificar o nome de Ilha Formosa.

 

Ao final do dia apercebi-me que nao tinha verdadeiramente parado para almocar, mas como ao longo do passeio fui parando em bancas para petiscar ou provar frutas secas nas lojas de especialidade e beber uns copos de Oolong (o chá local) acabei por nao ter fome. Ainda assim, há um qualquer ingrediente em muitas comidas de rua que infelizmente nao combina com o meu nariz e eu cheguei a ter de suster a respiracao ao passar nalgumas lojas.

 

Ao fim desta caminhada, posso dizer que Taipei nao é cinzento, pois as lanternas de papel, os táxis e muitos néons dao a cidade um amarelo vivo, que reflecte bem a energia dos mercados de rua e a simpatia das pessoas.

 

The route / A rota:

Longshan Temple – Movie Street – Beimen – Dihua Street Commercial District – Dadaocheng Wharf – Ningxia Night Market – Huayin Street Commercial District – Main Station Area

 

Places visited / Pontos de interesse:

Longshan Temple

ASW Tea House

Taiyuan Asian Puppet Theatre Museum

Chinese Medicine Shop (pick one, there are many)

Bucket Shop (good for gifts)

Night Market (eat-drink-shop all in one place, after the sun goes down)

daily life | o dia a dia

sdr
we don’t just eat sushi all day… | nós nao passamos o dia a comer sushi

 

It was a great idea, let’s have a blog about our time in Japan. Our neighbour even suggested a really cool name and at the beginning the writing was quite regular.

But then, you plan to write about the 26 page booklet on recycling in your ward, or about earthquakes, or even the cultural differences and you realise there are more than 10 blogs that write about the same different things. You realise that while you managed to keep a blog when you moved to London over a decade ago for most of that time, it was different, because there weren’t so many blogs about it and definitely there were probably one or two Portuguese blogs about it.

In Japan is different. Because we didn’t move here from our countries of origin; or because the novelty of moving was not the same; or because in London we learned and got used to many different things; or because we are simply enjoying the country and still sharing it with you almost on a daily basis on Instagram (this little feed here on the right side of the blog with pictures).

But while one picture a day may do the trick most of the time on our very regular life, once in a while we do embark on adventures in and around Japan and in the coming weeks we will share them here.

In the meanwhile, a brief account of our daily life, equal to many of yours regardless of where you are in the world.

S and I wake up around the same time during the week. I would like to say I go to the gym or for a run in the morning but unfortunately Japan got me a bit lazy in that sense. I make breakfast, just the same way I always did since we live together.

S goes to work Monday to Friday while I work 3 days per week in a cool Japanese architecture firm. You don’t believe me? We even have robots in the office and once in a while you hear a loud noise and it is one of the programmers walking into stuff while wearing VR glasses. That cool you see?

Monday is my shufu (housewife) day. Cleaning, laundry, shopping, cooking…. Yes, cooking. Because I have more free time than S it is my role now.

Not much changed since my first visits a year ago to the supermarket, as I still can’t make sense of half the labels, but on the other hand I found an Indian grocery store next to the office and we can get many things we are familiar with (they always look at me suspiciously when I just go there to buy 50 frozen chapattis though).

I’ll talk about the cooking another time, as I have been asked very often what type of food we eat at home.

I have stopped learning Japanese. It is a debatable decision, but seeing that we are not staying here for a long time and half my office speaks Chinese, I decided I would learn Japanese arts, rather than language. Taking advantage of the part time job, I am now learning kintsugi (fixing ceramics with gold) and will soon be looking at other arts.

Fridays I tend to meet other shufus and explore the Tokyo’s hidden neighbourhoods. Nothing too fancy, we meet at one of the many Tokyo stations and walk around.  Sometimes it is because someone needs to go to a place in the area, or sometimes we just read an article about a place. It is not like there is a secret shufu society, or is it?

And then comes the weekend and besides S catching up on his sleep, we always find something to do. Like in any other city around the world, there are exhibitions to see, festivals to experience, events to attend, parks to picnic on. And there are the friends we made since arriving, that coincidentally moved here at the same time as us, that want to meet and do stuff.

So just a regular life, but on this side of the world and with some kanji (Chinese characters) to make things more interesting or difficult depending on the mood.

 Era uma ideia excelente. Vamos escrever um blogue sobre a nossa vida no Japao. O nosso vizinho até sugeriu um nome porreiro e ao início eu escrevia regularmente.

Mas depois pensas em escrever sobre o livro de 26 páginas sobre recilagem no teu bairro, ou sobre os terramotos, ou ainda sobre as diferencas culturais e descobre que há uma data de blogues que escrevem exactamente sobre as mesmas coisas. E enquanto que durante quase uma década mantiveste um blogue era diferente, porque nessa altura nao havia muitos blogues sobre a vida em Londres e desses poucos só um ou talvez dois fossem Portugueses.

No Japao é diferente. Talvez por nao termos vindos directamente dos nossos países de origem, ou porque mudar de país nao é propriamente a mesma coisa que foi há onze anos, ou porque em Londres nos tornámos mais cidadaos do mundo e habituámo-nos ‘as diferencas, ou simplesmente porque continuamos a partilhar as nossas experiencias convosco quase diariamente no Instagram (estas fotos que aparecem aqui do lado direito).

Mas apesar de uma imagem valer mais de mil palavras (ou neste caso, 700 em cada língua) por vezes partimos ‘a aventura aqui pelo Oriente e nas próximas semanas contamos partilhar um pouco mais aqui.

Até lá, vou contar-vos sobre o nosso dia-a-dia, em muito parecido com o vosso independentemente de onde estao no mundo.

Eu e o S acordamos mais ou menos ao mesmo tempo durante a semana. Gostava de dizer que vou correr ou ao ginásio antes disso como fazia em Londres mas a verdade é que por aqui estou um bocado mais preguicosa. Como é hábito desde que vivemos juntos, eu faco o pequeno almoco e o dia comeca.

O S vai para o trabalho de segunda a sexta mas eu só trabalho 3 dias por semana num atelier muito fixe. Nao acreditam? Até temos robots no escritório e de vez em quando ouve-se um estrondo porque um dos programadores derrubou uma mesa enquanto testa os óculos de realidade vitrual. Eu disse que era um sítio fixe!

Segunda-feira é o meu dia de shufu (doméstica). Limpar a casa, lavar roupa, ir ao supermercado e cozinhar. Sim, cozinhar tornou-se uma das minhas actividades pois eu tenho mais tempo livre que o S.

As coisas nao mudaram muito desde as primeiras visitas ao supermercado porque ainda nao consigo ler mais de metade dos rótulos, mas agora descobri ao pé do atelier uma mercearia Indiana  e vou lá regularmente apesar do homem me mandar olhares curiosos quando compro 50 chapatis congelados de uma só vez.

Mas deixemos a comida para outro post, pois muita gente me pergunta o que e que nós comemos em casa.

No início do ano deixei a escola pois como nao contamos viver aqui para sempre e no meu escritório metade das pessoas fala Chines, decidi aprender artes Japonesas em vez da língua. De momento estou a aprender kintsugi (reparacao pecas ceramicas com ouro) e em breve vou procurar outras artes.

‘As sextas normalmente é dia de explorar os bairros de Tóquio com outras shufus. Ou porque alguém tem de ir a um certo sítio, ou porque lemos um artigo sobre o bairro, encontramo-nos numa das muitas estacoes Tóquio e palmilhamos o bairro a pé.

E ao fim de semana, depois do S por o sono em dia, arranjamos sempre qualquer coisa para fazer. Porque tal como em qualquer outra cidade no mundo há sempre exposicoes para ver, ou eventos a acontecer ou simplesmente parques para andar ou piquenicar. E claro, há os amigos que fizemos cá e que curiosamente se mudaram ao mesmo tempo que nós com quem nos encontramos regularmente.

Uma vida normal, mas deste lado do mundo e com algum kanji (caracteres Chineses) ‘a mistura que, dependendo do dia, pode tornar as coisas mais interessantes ou mais complicadas.