Quickie #12

The day you find a new hairdresser and he laughs at the size of your head…

Aquele dia em que arranjaste um novo cabeleireiro e ele se ri do tamanho da tua cabeça…

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Konbini

konbini

When I was still a student at university, one thing I always said would do well in my city was a convenience store. I even had the full concept for it. Not just a place to buy food and emergency items in the middle of the night but, being  a students’ town, a place where you could take photocopies of your friends notes for an exam, do some internet research (mind this was in the days of dial up connection) or print that essay you needed to hand in at 8AM.

 

Unfortunately, such place never existed and we had to make do with what we had, relying on that friend whose father had a copy machine in his office and the canteen open until 2AM selling tuna sandwiches. And even now there is no such place (though maybe you no longer need the dial up connection).

 

In Japan there is a magic place called konbini (abbreviation of konbiniensu sutoa) which materialises my idea and more.

These stores are spread around the cities in a geodetic marker principle (from one you can usually see two other stores). They are open 24/7, 365 days/year and provide you everything you can imagine between goods and services. You don’t believe me? Let me try to list out some of them.

 

You can buy pre-prepared meals, hot and cold drinks, basic food ingredients, alcoholic drinks and fruit (you must understand in Japan fruit is a special, expensive item). In the winter you even have those oversized pans with boiling oden, a one pot boil of vegetables, eggs and processed fish(?).

Then you have otc medicines, vitamins and all those liver protecting goods for before and after a night out (tried and tested, Guronsan is still the best thing ever).

Condoms, pads, tampons, diapers, toiletries in regular and travel size, and first aid stuff are also there, along with the “I didn’t manage to go home last night section” that sells shirts, underwear, stockings and make up.

Obviously you can also get a bunch of stationery and school items, batteries, postcards for the last minute greetings / condolences and household items.

 

There is always the tobacco machine behind the counter and the magazine rack with a mix of manga, children entertainment and adult contents neatly aligned and sealed (don’t just think you can browse through magazines in a Japanese shop).

 

In the rainy season there are umbrellas; in the summer, pocket towels; in the winter, hand warmers and throughout the year you can find other seasonal items relating to the festivals including costumes in Halloween.

 

Think this is it? Think again.

All kombinis have ATM machines that accept most Japanese cards as well as foreign cards. When we opened our bank account, we were advised to use the 7eleven machines as they don’t charge our bank.

There are also copier-printer-scanners that not only connect to your mobile via an app, they can also be used to print government issued documents like residency certificates if you have the right card (we do, we used it many times, it works great but you need to trick the machine and start in Japanese).

Then, if you want to go a baseball game, a concert or even Studio Ghibli Museum you can buy your tickets at the kombini vending machine. I read that you can even buy airplane tickets there but never tried.

That day you had some dodgy looking food (not sure where, but let me know) and desperately need to use the loo, just look for a kombini and pray their only toilet is not busy.

If you buy stuff online and have nobody at home to pick it or your Visa is not working, you can get your stuff delivered at the kombini and pay for it there in good old cash, Japanese style.

Talking about paying in cash, you can also pay your household bills, healthcare and pension contribution at the kombini as direct debit is something odd in Japan.

And finally, when you are heading to the airport and have a tonne of bags and don’t feel like carrying them, drop them at the kombini the day before and for a small fee they ensure your stuff is at the airport when you get there.

 

Now, with all this stuff, you would think these are supermarket size shops. Think again, because while the new one across the street from us has a decent size, the previous one on the other side of the road was a proper corner shop, no larger than my living room, where you could barely move and only had 2 attendants to ensure the shelves are always stashed, the coffee machine is ready, the oden is cooked, the printers have paper and toner, the toilet is clean and has paper and soap and obviously, manage the cash register and welcome and thank EVERY SINGLE CUSTOMER entering and leaving the premises.

Quando eu andava na universidade, uma coisa que eu dizia sempre que faltava na cidade era uma loja de conveniencia. Eu tinha a ideia toda na cabeca. Para além de vender comida e artigos de emergencia, tinha fotocopiadora para copiar os apontamentos dos amigos, ligacao ‘a internet tipo cyber café (nao se esqeecam que isto era na altura do modem) e computadores onde se pudesse acabar e imprimir aquele trabalho para entregar ‘as 8 da manha.

 

Infelizmente um sitio destes nunca existiu (e acho que ainda hoje nao existe apesar da ligacao ‘a net ter de ser wi-fi) e nós iamos a meio da noite com o amigo cujo pai tinha uma fotocopiadora no escritório copiar os apontamentos e comíamos sandes de atum nas cantinas amarelas que tinham o quiosque aberto até ‘as 2 da manha.

 

No Japao no entanto há um sítio especial chamado konbini (abreviacao de konbiniensu sutoa) que é tudo o que eu tinha imaginado mas melhor.

Os kombinis estao espalhados pelo país num princípio de marco geodésico (de um kombini conseguem-se ver outros dois). Estao abertos 24h por dia, 7dias por semana o ano inteiro e para além de bens também providenciam servicos. Nao acreditam? Fica aqui uma ideia do que conseguem encontrar no kombini.

 

Há refeicoes pré-cozinhadas, bebidas quentes e frias, ingredientes para cozinhar, bebidas alcoólicas e fruta (algo especial no Japao pois é muito cara). No inverno há caldeiroes de oden, um caldo de vegetais, ovo e peixe que é só servir e pagar.

Depois tem medicamentos sem receitas, vitaminas e centenas de produtos para serem tomados antes e depois de uma noitada que protegem o fígado (mas o Guronsan é melhor).

Há preservativos, pensos higiénicos, tampoes, fraldas, artigos de higiene em tamanho normal e de bolso, artigos de primeiros socorros e camisas, roupa interior e maquiagem para quem nao passou a noite em casa.

Também há artigos de papelaria, pilhas, artigos de limpeza para a casa e postais para a ultima da hora inclusivamente os de condolencias.

 

Atrás do balcao há sempre a máquina de tabaco e mesmo ‘a entrada está o expositor de revistas que inclui banda desenhada, revistas infantis e outras para adultos, mas todas devidamente seladas que se querem ler as revistas tem de pagar.

 

Na época das chuvas há guarda chuvas; no verao, toalhas de bolso; no inverno, aquece-maos; e ao longo do ano, dependendo das festividades, há sempre um escaparate temático, que incui disfarces completos no halloween.

 

Mas o kombini nao se fica por aqui. Em todos os kombinis há máquina de multibanco para levanter e depositar dinheiro que aceita cartoes locais e estrangeiros. No nosso banco recomendaram as do 7eleven que sao grátis.

Depois há uma fotocopiadora-scanner-impressora que para além de ter um app para o telemóvel para mandar infirmacao, serve ainda para pedir documentos oficiais como certificados de residencia. Para isto basta ter um cartao especial emitido pelo governo e enganar a máquina, deixando-a pensar que sabemos falar Japones (já testámos várias vezes e funciona impecavelmente).

Se querem ir ver um jogo de basebol, concerto ou até mesmo ao museu do Studio Ghibli podem comprar os bilhetes numa máquina que normalmente está ao lado do multibanco. Eu li que até dá para comprar bilhetes de aviao mas ainda nao experimentei.

E naquele dia em que os protectores do fígado nao funcionaram e precisam urgentemente de uma casa de banho, é só procurar o kombini mais próximo e rezar que a única casa de banho nao esteja ocupada.

Se gostam de fazer compras na internet mas nao podem estar em casa para receber a encomenda ou o cartao nao está a funcionar, podem levantar as vossas coisas e pagar em dinheiro ‘a boa maneira Japonesa no kombini.

E por falar em pagar em dinheiro, também podem pagar aqui as contas da casa, o seguro de saúde e os descontos para a reforma.

E finalmente, quando querem ir embora e teem tantos sacos que nao conseguem carregar com tudo, deixem-nos na véspera no kombini que eles estarao no aeroporto ‘a vossa espera.

 

E agoram pensam voces, mas estas lojas sao do tamanho de hipermercados! Pois, nao sao, na verdade sao mais parecidas com a tabacaria do bairro, onde uma pessoa mal se pode mexer e que tem normalmente 2 funcionários que enchem as prateleiras, tiram café e chá, enchem as máquinas de papel, tinta e afins, limpam a casa de banho regularmente e claro, estao na caixa a atender os clientes ao mesmo tempo que cumprimentam e agradecem a TODAS AS PESSOAS que entram na loja.

time for sushi

 

As we had been a bit busy with our visitors, I was just going to share this short film by David Lewandowski, but it prompted a few more words.

While the video is a bit nonsense and even weird, I have watched it quite a few times trying to identify the places where it is shot.

How much do you recognise of the city you live in?

Late last year I had the chance to watch a much waited anime called Your name on a flight (that’s where I can watch the latest releases). I was interested in the story but soon became obsessed with identifying the places it happens. And all because in an early scene the building where I live shows up, and we have moved to Tokyo recently, so being able to recognize a part of this city got me very happy. From then onwards, I even paused the film (it was a long haul flight) to try and identify the places.

 

I cannot explain with words, but there is something comforting about it, gives a bit of a sense of belonging. I recognize the streets, not just the landmarks.

 

Unfortunately, with this short film above I still have many places to identify, although I can tell you it is definitely Japan.

 

Como temos estado ocupados com as visitas, estava apenas a pensar partilhar esta curta metragem de David Lewandowski, mas depois senti vontade de escrever um pouco mais.

Apesar do filme ser um bocadinho nonsense e até mesmo estranho, já o vi algumas vezes para tentar reconhecer os sítios onde é filmado.

 

Quanto é que voces reconhecem das cidades onde vivem?

No final do ano passado consegui encontrar num voo um filme de anime que queria mesmo ver (é onde vejo as novidades cinematográficas ultimamente). Estava muito curiosa por ver O Teu Nome por causa da história, mas ao fim de uns minutos fiquei obcecada por reconhecer os sítios, de tal modo que parava o filme para olhar atentamente para a imagem no écran em pausa (voos de longo curso dao para isto). E tudo porque logo no início há uma cena mesmo em frente ao prédio onde vivemos aqui em Tóquio, e desde aí comecei a tentar perceber a geografia da cidade no filme.

Bom, nao é só a geografia, é um pouco mais que isso. É sentir algum conforto e familiaridade ao reconhecer as ruas e os bairros, nao só as atraccoes turísticas, desta cidade imensa.

 

Infelizmente, nesta curta metragem no cimo do post nao consigo reconhecer quase nada, mas é definitivamente Japao.

Gohan

sdr

It is very interesting how in one year in Tokyo I was asked more times about my food than in a decade in London. Maybe is because Japanese value meals and meal time a lot, or because they mainly eat Japanese food, so there is a lot of curiosity about what foreigners eat in Japan and also what we like and don’t like of Japanese food.

 

Like in London, we try to cook and eat at home Sunday to Thursday and then take the weekend to eat out and try foods. However, in Japan it is very easy to eat out as many places are open until late for a basic ramen so we cheat a bit on this premise.

 

Being a mixed house, we eat a mix of food, and incorporate a bit of our local favourites as well.

Surprisingly, in their essence, Portuguese and Japanese food have many ingredients in common, but the preparation methods are very different. While Japanese have soya sauce we have olive oil, so the basis of the flavour changes.

In addition to the usual vegetable soup pot I cook and  freeze for emergency meals, our staple foods from Portugal are Carne Estufada (Beef stew), Polvo ‘a Lagareiro (Octopus in olive oil), Arroz de Polvo (Octopus risotto) and Carne de Porco ‘a Alentejana (pork with clams), S’s favourite.

Yes, Portuguese eat Octopus and it is easy to find in Japan, so I am making up for the past decade without it. We also eat fish, but that depends on whatever is fresh in the supermarket.

 

Gohan, the title of this post, means both rice and meal. Japanese are very particular about their rice and it is illegal to bring rice from abroad, however, it is possible to find Thai and Basmati rice so we can cook Indian food. Believe me, you do not want Indian food with sticky Japanese rice.

Goan food has many different ingredients from Japanese, but we still manage to eat some of it, since we brought the basic spice mixes. From Goa we make Beef Xacuti and Prawn Curry – though less often than in London – and Chicken Cafreal, which became a favourite of our friends at parties. We do cook a bit of north Indian food with Dal being a regular, accompanied by the chapattis from the Indian shop close to the office. Once in a while, we also do Palak Paneer, one of my favourites, and we ensure a weekly trip to our local Indian restaurant.

 

Japanese, like the Portuguese, have some crazy obsession with food and will travel miles to eat a particular dish. It is not surprising then that every time we travel in Japan we get a list of recommendations of food to eat rather than places to visit.

And while many Japanese foods seem complex to our cooking skills (starting with finding the right ingredients), we managed to learn a few things. We do keep a tub of miso paste in the fridge for a different soup and I even attempted once to make the seaweed and fish broth from scratch but takes too long, so now we get the “teabag” version of dashi. However the most common Japanese food we cook at home is Shogayaki (pork with ginger), as it takes less than 10 minutes (minus the rice in the cooker, which you can time for when you get home). We also eat Tamago Kake Gohan (rice with egg), which may repulse many but it is super tasty and quick. But our absolutely favourite and for which we even found a restaurant close to our house is actually a Japanese-Italian concoction called Mentaiko pasta (spaghetti with spicy cod roe). We love it to the point we improved the online recipe and mastered the technique to take the roe from its skin.

 

And while these are not the only things we eat, they are definitely our regulars, as either we can cook and freeze for other meals or they take very little time to make, because I hate those “30 minute” recipes that assume you have everything at hand and chopped and ready to use.

 

I know some of the links are in Portuguese but that’s why they invented Google Translate, so be brave and let us know how your meals came out.

 

É curioso como num ano a viver em Tóquio ouvi mais vezes a pergunta “O que é que voces comem em casa?” do que em dez anos em Londres. Nao sei se é por os Japoneses darem mais importancia ‘as refeicoes ou porque teem uma gastronomia variada e nao comem muita comida estrangeira, há claramente uma curiosidade em perceber o que é que os  estrangeiros comem e o que e que nós gostamos da gastronomia Japonesa.

 

Tal como em Londres, tentamos comer em casa de Domingo a Quinta e no fim de semana experiementar tascos e restaurantes diferentes. No entanto, comer fora no Japao é muito comum e há restaurantes de ramen abertos a noite toda, e muitas vezes comemos fora mais do que o previsto.

 

Sendo cada um de nós de um sítio diferente, comemos comida de ambos os lados e até já sabemos fazer alguns pratos Japoneses.

Na sua essencia, a comida Portuguesa e Japonesa usa os mesmos ingredientes, no entanto a preparacao é muito distinta, e enquanto eles usam molho de soja nós usamos azeite, o que dá origem a sabores completamente diferentes.

Da cozinha Portuguesa, para além da panela de sopa que faco regularmente para ter refeicoes de emergencia, comemos Carne estufada, Polvo ‘a lagareiro, Arroz de polvo e Carne de porco ‘a Alentejana, o prato favorito do S. Podem ver pelas receitas que aqui é fácil encontrar polvo e assim vingo-me dos ultimos dez anos sem quase o cheirar. Também comemos peixe mas as receitas dependem do que estiver na banca da pesca do dia.

 

Gohan (o título do post) significa tanto arroz como refeicao em Japones, e percebe-se por aqui o quao importante o arroz é na alimentacao, ao ponto de ser proibido trazer arroz na mala. Ainda assim, é possível encontrar arroz Tailandes e Basmati portanto podemos fazer comida Indiana. Acreditem, nao vao querer comer comida Indiana com arroz tipo carolino todo pegajoso.

Apesar da comida Goesa ser muito diferente da Japonesa, como trouxemos especiarias comemos várias vezes Xacuti de Vaca, Caril de Camarao e Frango ‘a Cafreal, que se tornou um dos pratos favoritos dos nossos amigos. Do resto da Índia, comemos ainda Dal (lentilhas) com Chapatis comprados na loja Indiana ao pé do escritório e Palak Paneer (espinafres com queijo), um dos meus pratos favoritos. E para manter a tradicao de Londres, todas as semanas vamos ao Indiano aqui do bairro comer Biryani (arroz de carne).

 

Tal como os Portugueses, os Japoneses sao obcecados por comida e sao capazes de viajar quilómetros só para comer uma especialidade local. Nao é de estranhar portanto que de cada vez que viajamos nos dao uma lista de comidas para provar em vez de sítios a visitar.

Apesar de muitas receitas Japonesas parecerem complicadas (especialmente a parte de encontrar os ingredientes certos), conseguimos aprender algumas que se tornaram também pratos comuns cá em casa. No frigorífico temos sempre uma caixa de pasta miso para fazer sopa. Eu ainda tentei uma vez fazer o caldo dashi de raiz mas demora tanto tempo que agora compramos a versao “saqueta de chá”. No entanto, o prato Japones mais comum cá em casa é Shogayaki (porco com gengibre) que demora exactamente 10 minutos a fazer (o arroz é feito na máquina que pode ser pré programada portanto nao conta). Também comemos Tamago Kake Gohan (arroz com ovo) que é apenas isso, arroz cozido com um ovo misturado e demora menos de 5 minutos. Mas o nosso prato favorito é um híbrido Nipónico-Italiano para o qual até encontrámos um restaurante perto de casa e que se chama Mentaiko pasta (esparguete com ovas picantes). Já cozinhámos tantas vezes este prato que para além de saber a receita de cor nos tornámos especialistas em separar as ovas do saco.

 

Claro que comemos outras coisas, mas estas sao sem dúvida as refeicoes mais comuns cá em casa pois podem ser feitas em grande quantidade e congeladas para comer mais tarde ou demoram muito pouco tempo a fazer.

 

E voces, estao prontos para experientar? Eu sei que alguns dos links estao em Ingles mas o Google Translate ajuda. Depois digam como ficou!

East and West

(Por motivos técnicos, o post em Português está abaixo e para verem fotos é seguir o link do Instagram aqui ao lado 👉)
Back in 2002 I went to China for 8 weeks for an academic project. Landing in Beijing I had the feeling of being somewhere very different. Before that, my travels have taken me to Europe and Brasil, though at the time I was so young that the fact we had a common language made me forget I was in a different continent across the ocean. So yeah, landing in Beijing 15 years ago was the realisation of the world and I clearly remember stepping out of the airport and thinking “I’m in China, Asia, the far East”.

7 weeks, many train and bus rides and quite a lot of Chinese cigarettes later, I returned to Beijing and felt that it was actually quite westernised / international as there was Coca-Cola, Marlboro cigarettes and Mac Donald’s. I had just been living in a village in Sichuan province for 6 weeks and while the experience was amazing, the only familiar thing I found were some Portuguese looking and tasting cakes I would buy every other day, so that was a real eye opener.

Much has happened since then but as I write this post in Shanghai, I can’t help but going back to the memory of that trip.

China doesn’t feel as different anymore. Yes, they still sell snakes in the market and going into a shop or restaurant is an adventure. The most difficult bit is the Google ban. I know your going to say I don’t really need it but small things like trying to find the exchange rate or translate words is very difficult. Yes, back then there was no Google, so we weren’t hooked up on it but we also had translators…

So far it has been a very pleasant surprise. I find China became much cleaner, like Japanese clean; the infrastructure seems to have developed along with the city, so there’s a wide network of public transport, sewage, electricity and so on; public places are still that, so there’s Tai Chi in the morning and dance in the evening in the garden nearby. There’s the best cycle scheme I’ve seen to date and phone boots have been converted into WiFi points. I’m looking forward for the next days. (To the the pictures of this trip please follow the Instagram link on the side 👉)

….

Em 2002 fui à China para um projecto académico. Apesar de ter saído várias vezes de Portugal, aterrar em Pequim foi ter verdadeiramente a noção da grandeza do mundo e lembro-me perfeitamente de pensar “aterrei na China, Ásia, extremo oriente”.

7 semanas, muitos comboios autocarros e cigarros chineses depois regressei a Pequim e pensei que afinal a cidade era muito mais ocidental do que eu pensava. Afinal havia coca-cola, Marlboro e Mac Donalds, ao contrário da aldeia de Sechuan onde vivi 6 semanas e o mais familiar que encontrei foi um bolo que parecia pão de ló.

Desde então já se passou muita coisa e agora eu vivo no extremo oriente, mas voltar à China traz memórias e naturalmente comparações.

A China já não parece tão diferente como há 15 anos apesar de continuarem a vender cobras no mercado (para comer claro) e ir a um restaurante continua a ser uma aventura, apesar de muitos menus terem fotos ou texto em inglês. O mais complicado tem sido o bloqueio da China ao Google, portanto ver mapas ou traduções ou o câmbio da moeda são coisas impossíveis. Bem sei que em 2002 não havia Google, portanto não estávamos habituados a usá-lo, mas também tínhamos tradutores…

Tirando este pormenor, esta viagem tem sido uma agradável surpresa. A China está limpíssima, como o Japão; a cidade de Shanghai desenvolveu uma rede de infraestrutura que acompanha o crescimento urbano: Bons transportes públicos, rede de esgotos e eléctrica. Apesar do crescimento, os jardins e praças continuam a ser espaços públicos, com ginástica matinal e dança ao fim do dia. Têm uma rede de bicicletas de aluguer muito avançada, em que apenas é preciso um telemóvel para poder usar. As bicicletas estão espalhadas pela cidade e podem deixar-se praticamente em qualquer lado sem precisar de um sítio especial (ao contrário das Londrinas) e as velhas cabines telefónicas foram convertidas em pontos de WiFi. Estou curiosa com os passeios destes próximos dias.

Sumo

While I am not a big fan of fighting sports and spending a full day watching one was never part of my plans, I found myself buying tickets for a sumo tournament earlier this year. It is something that is intrinsically Japanese and watching it elsewhere would feel like a cheap copy.

 

So on a Sunday lunchtime I headed to Ryōgoku Kokugikan wondering what the day would be like.

We had a list of all the players and it seemed to me there were more than a hundred of them. How could it be? So the truth is each match takes only a few seconds, literally, and it is preceded by a longer ritual that takes probably 5 minutes that involves greeting, salt and much applause from the public. Wikipedia has some explanation of all this, so I will try to explain the rest.

 

Going to a sumo match is like a day out. You can take your picnic or buy food and drinks at the hall. There are seats like a theatre at the higher levels and at the lower level of the hall, next to the ring, there are floor seating areas for groups. There are mascots and souvenirs and cut out real size westlers for photo ops and there is a vibe of excitement in the air, though organized excitement or course.

You recall I mentioned you can bring or buy food and drinks? Yes, and in proper Japanese style these are themed with the event, but also as you enter the complex you are handed 2 plastic bags: one for combustible and one for non combustible and recyclable waste. Very organised.

 

Also, while your ticket is checked at the entrance of the complex nobody checks if you seat at your place or go down to the area closer to the ring, which means you can wonder around and experience for a few minutes being closer to the action (however you feel a sort of mental barrier that doesn’t allow you to stay for too long down there, and you must ensure you leave all the routes clear for emergency evacuation). You see, very organised.

 

A couple of matches in and I was already trying to guess the winner of the round along with my friends, while looking at the notes the guy in front was taking. Because he was taking it seriously and wanted to know exactly who was going to the next round. At some point, a wave of cheers and applause filled the air and it was clear it was the Japanese champion entering the ring, and it was a big thing as for almost 20 years there has not been a Japanese yokozuna.

 

And you know how other sports have advertisement playing on screens or around the fields? Well in Sumo they are on banners that men carry around the ring in between matches.

Oh, and did I mention that the winner gets a cow?

If you ever come to Japan and have a chance go to a match, it is definitely worth it.

Apesar de nao ser fa de desportos de luta e muito menos de passar um dia inteiro a ve-los, dei por mim a comprar bilhetes para um torneio de sumo no início do ano. O Sumo é um desporto Japones, e assistir a um torneio fora do Japao seria como comer leitao fora da Bairrada.

 

E no dia marcado, ‘a hora de almoco, lá fui até ao Ryōgoku Kokugikan para ver o torneio.

Como o bilhete deram-nos uma lista de lutadores que incluia mais de 100 nomes. Mas como é posssível lutarem todos no mesmo dia? É possível sim porque cada luta dura apenas uns segundos e é antecedia por rituais de cumprimentos, sal e aplausos que duram no máximo 5 minutos. Piscas os olhos por um momento e acabou o round! Como a wikipédia tem uma explicacao detalhada sobre o sumo (em Ingles), vou falar aqui do resto.

 

Ir a um torneio de sumo é um dia bem passado. Pode levar-se piquienique ou comprar nas lojas da arena comes e bebes. Há luhares sentados como no teatro mas há também lugares sentados no chao em boxes mesmo ao pé do ringue. Há mascotes, souvenirs e lutadores de sumo em cartao de tamanho real para tirar fotos. E ha muita excitacao no ar, mas excitacao organizada claro.

Lembram-se de eu ter falado da comida acima? Pois nas várias bancas há comes e bebes temáticos (como euq uqalquer evento no Japao) mas antes disso,  mesmo ‘a entrada, dao-nos 2 sacos de plástico devidamente identificados para o lixo combustível e nao combustível/reciclável.

 

Depois de verificarem os nossos ilhetes ‘a entrada, ninguém vai confirmar se nos sentamos no nosso logar, portanto ao longo do dia podemos deambular pela arena e ir ao pé do ringue ver um jogo ao perto (sem bloquear as saídas de emergencia). Mas a verdade é que uma pessoa sente sempre que nao devia estar ali e fica apenas o tempo suficiente para tirar umas fotos.

 

Ao fim de uns jogos dei por mim a adivinhar qual seria o vencedor do round, enquanto tentava ler as notas que o tipo ‘a minha frente estava a tirar (ele estava a seguir a coisa memso a sério). A uma certa altura, uma grande ronda de aplausos encheu a arena e o Campeao Japones entrou. A festa foi enorme porque há quase 20 anos que o Japao nao tem um Yokozuna.

 

Ah, e sabem como sempre que há desporto há publicidade e patrocínos, normalmente em écrans ou em volta do estádio? Pois aqui, muito old style, entram homens com estandartes pintados e andam em volta do ringue enquanto os lutadores trocam.

E esqueci-me de dizer, que o vencedor ganha uma vaca!

Foi decididamente um dia bem passado e recomendo a quem cá vier.

One year | Um ano

shibuya
Shibuya  scramble the night we arrived | O cruzamento de Shibuya na noite em que chegámos
It is a bit delayed, but it is surely still Sunday somewhere in the world (or does that just apply to cocktail hour?).

 

It was a hectic weekend, from Friday to Sunday evening we barely had time to stop home. It is a good sign, especially as we were always with friends we made since we arrived, but also, as we informally celebrated our first year in Tokyo we had our first farewell.

 

It is a year (and 4 days to be precise) since we arrived, and my main expectation was the adventure of coming somewhere different. But while we had a brief image of Japan from the media, being here showed another side, or better, other layers of Japan, and Tokyo is clearly not all of Japan.

 

Probably the most amazing part of Japan are the seasons, which move with Swiss clock precision.

We landed in the rainy season and learned it is not worth investing in an expensive umbrella as it is likely to be swapped. Then came Summer with our first visitors, followed by typhoons where I witnessed our clothes rack swirling in the balcony, performing a weird dance and threatening to climb the 1.2m high balustrade. With the next visitors came autumn, a few weeks later was koyo and finally the sky turned blue and the air crisp and it was winter. Yes, cold but beautiful. At the end of winter came the first plum blossoms, which announce the arrival of the much waited and officially forecasted sakura (cherry blossoms). Springs starts at that point, and finally when the hydrangeas blossom the rain comes again.

 

Getting out of Tokyo once in a while allowed us to see the countryside, and while the Japanese villages we have seen so far are nothing to write home about, the landscape is amazing. Forests, mountains, volcanos, lakes, beaches… there is so much to see, such varied landscapes and colours you never get bored.

 

Japanese are known for their politeness and good manners, and going into a shop includes all the bows and sellers carrying your bags to the door after carefully wrapping  your things in a beautiful manner. However, enter the metro or trains and suddenly you are pushed, elbowed on the ribs and dragged along and nobody makes a sound. And while this still disturbs me, I found myself thinking that a Japanese guy that “sumimasened” his way through the train was clearly not from here.

 

We all (or at least I) expect Japan to be super developed and advanced, and while this is true in some things, like for example the speed at which the train gates read the pass; or the shinkansen; or the robots in the mobile phone shops, it is also a country where very old technology is still used. Many companies use fax on a regular basis. Most shops don’t take card payment and you find yourself carrying the equivalent to $500 in your wallet most days. The concept of direct debit is quite rare and many bills are payed in the kombini (convenience store – which deserves a post on its own).

Generally you get used to this but it is very surprising, especially as you notice this country is not afraid of robots, in fact they love them! Just watch Astro Boy or go to the Miraikan and you will understand what I am saying. There is almost a romanticised vision of a robotic future while enjoying the lifestyle of the Edo period. Or as a Japanese said, they programme the robots to operate the fax machine.

Está um pouco atrasado, mas algures no mundo ainda deve ser domingo (até parece uma música do Sérgio Godinho).

 

O fim de semana esteve tao ocupado que mal tivémos tempo para dormir. Entre almocos e jantares com amigos que fizémos aqui, houve tempo para assinalar o aniversário da nossa chegada a Tóquio e a primeira despedida de amigos que regressam a casa.

 

Faz exactamente um ano e 4 dias desde que chegámos, e apesar das expectativas, o Japao nao é exactamente o que se ve na TV e algumas coisas sao bem diferentes do que tínha(mos) em mente. E obviamente, Tóquio nao é o Japao todo.

 

Apesar das cerejeiras em flor fazerem parte da imagem do Japao, isso sao apenas umas semanas e as estacoes do ano sao todas muito diferentes.

Aterrámos em plena época das chuvas e aprendemos que o guarda chuva do Kombini (um post sobre as lojas de conveniencia está para vir em breve) é a melhor compra porque vai certamente ser levado por engano na próxima paragem. Depois vieram as primeiras visitas e com elas chegou o verao, seguido dos tufoes em que o estendal da roupa andou numa danca ali na varanda e quase se suicidou, nao fosse o parapeito ter 1.2m. Com a visita seguinte chegou o outono e umas semanas depois as árvores mudaram de cor para o koyo. Finalmente o céu ficou azul e límpido e as temperaturas desceram, o que significa que chegou o inverno. Em breve as flores de ameixoeira anunciaram a chegada da tao esperada sakura (as tais cerejeiras) que é um verdadeiro espectáculo. Com estas flores chegou a primavera e agora, com as hortensias, voltámos  ‘a época das chuvas.

 

Enquanto que as cidades sao super densas e as aldeias nao sao nada de especial, a paisagem natural Japonesa é fantástica. Florestas, montanhas, vulcoes, lagos, praias… uma imensidao de coisas para ver, que o difícil é ter tempo para tudo.

 

Os Japoneses sao famosos pela boa educacao e modos, e ir ‘as compras inclui os vendedores trazerem o saco das compras ‘a porta, nao sem antes terem feito um embrulho bonito (e nem sequer é preciso pedir), sempre a agradecer. No entanto, no metro e comboios transformam-se e somos empurrados, esmagados e acotovelados e nunca se ouve uma palavra.  E apesar de isto me perturbar, dei comigo a pensar no outro dia que um tipo que ia a dizer sumimasen a torto e a direito enquanto tentava atravessar a carruagem nao devia ser de cá.

 

Antes de vir, eu pensava que o Japao era todo super high tech, e apesar de isto ser parcialmente verdade, pois as máquinas de ler o passe do metro sao super rápidas, e eles tem o shinkasen e robots nalgumas lojas, nao deixa de ser um facto que ainda usam tecnologia que muitos de nós consideram obsoleta. Muitas empresas ainda usam fax quase diariamente; a maior parte do comércio nao aceita cartao, e é normal termos de andar com o equivalente a $500 no bolso e pagamentos por transferencia bancária sao muito complexos e as empresas preferem mandar a conta para irmos pagar ao kombini. Uma pessoa habitua-se é claro, mas nao deixa de ser estranho num país que nao tem medo de robots e tecnologia. Basta ver o Astro Boy ou ir ao Miraikan para perceber. Parece que tem uma visao romantica, em que o futuro é automatizado mas o tipo de vida é ainda o do período Edo. Ou como um Japones me disse, eles ensinam os robots a usar o fax.